Apresentação

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Pentekósiti

clip_image002“Ele lhes disse de novo:‘A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também eu vos envio’. Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: Re- cebei o Espírito Santo” (Jo 20,21-22).

A Liturgia de nossa Igreja, a cada ano, nos convida a celebrarmos Pentecostes (em macua, Pentekósiti). A Festa litúrgica do Espírito Santo. Com Ela, encerramos o período da Páscoa. Muita luz e alegria pela presença do Cristo Ressuscitado nas celebrações em nossas comunidades. O Pentecostes é, também, a Festa da manifestação da Igreja; demonstração de seu dinamismo e vigor. Nesse sentido, aqui na Missão, temos belos exemplos eclesiais de não acomodação na Fé.

O tempo Pascal para nós, Igreja em Moçambique, possui uma marca sacramental muito forte. Faz lembrar os primórdios de nossa Fé Cristã, quando os catecúmenos, após longa preparação e aprovações nos escrutínios eram batizados na Páscoa. Aqui também: para o Batismo, a Eucaristia e o Matrimônio (entre nós, administrados somente durante o Tempo Pascal) se exigem anos de catequese, participação regular das celebrações, o aval do catequista e a aceitação da comunidade na qual o catecúmeno participa. A voz dos animadores da comunidade não é apenas consultiva, mas decisiva quanto à aprovação ou não daquele que pede o Sacramento. As celebrações são bem animadas e festivas. Um grande Pentecostes!

O exemplo da Igreja moçambicana, com suas imperfeições e desafios, no rigor quanto à participação comunitária e à preparação catequética aos Sacramentos, faz recordar, em paradoxo, o desleixo e a indiferença que encontramos em muitos católicos no Brasil. Para os quais, muitas vezes, uma pequena palestra de preparação ao Batismo, determinadas horas no curso de noivos ou alguns meses de catequese para a Eucaristia é motivo de revolta e protesto. Gastamos tempo e energia com gente acomodada e despreparada. E as comunidades? Na maioria das vezes, nem conhecem os catequizandos pela percebida ausência deles nas celebrações. Com isso, ficam apáticas e descomprometidas no processo de amadurecimento da Fé. Bem diferente do que encontramos aqui. Claro, como disse, com imperfeições e desafios. Mas, vivemos uma Igreja vigorosa e comprometida. Um belo exemplo a seguir.

Na Festa do Divino Espírito Santo, as paróquias do Rio Grande do Sul, Regional Sul 3 da CNBB, realizaram a coleta: “Igreja Solidária –Moçambique”. Esse ofertório é muito importante à Missão de nossa Igreja em terras africanas. Pois, mesmo com os esforços eclesiais para a sustentabilidade econômica da Igreja na diocese de Nampula, província moçambicana mais populosa e pobre economicamente, a qual pertencemos, ainda estamos longe da autonomia desejada e necessária à Evangelização. Nossa gratidão (kòxukhuru) à oferta generosa das comunidades gaúchas. Que o bom Deus recompense a todos com Sua bênção.

Já se passaram mais de dois meses desde minha chegada à África. Estou feliz e realizado. De fato, é um grande presente que a Igreja me concede. Quanto a inquietações que chegam do Brasil sobre minha saúde, digo que estou muito bem e sem enfermidades. Já fui “batizado”, ou seja, apanhei malária nos primeiros dias de África. Contudo, a recuperação ocorreu bem tranquila: alguns medicamentos, boa alimentação e muito descanso. Pronto! Em três dias estava ótimo, graças a Deus. Mesmo tomando cuidado e não querendo, a malária ainda faz parte da inculturação por aqui. Igualmente padre Rodrigo, companheiro nesta Missão além-fronteiras, está muito bem.

Murettele w’Apwiya okhale ni nyuwo mahikuothene (a Paz do Senhor esteja convosco todos os dias).

Pátiri João Carlos Andrade da Silveira

Missionário Fidei Donum em Moçambique – África

padrejoca@yahoo.com.br

Moma, 29 de maio de 2012.

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