Apresentação

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Perguntas Frequentes

Como todos sabem, hoje é o dia da Renúncia do Santo Padre, Bento XVI. A partir de hoje a Sé estará Vacante até o próximo Conclave, que está previsto para iniciar entre os dias 15 e 20 de março deste ano. Baseado neste fato que está mexendo com os católicos de todo o mundo, posto hoje aqui no site um artigo de Perguntas e Respostas, para que vocês possam compreender um pouco melhor todo o processo pelo qual a Santa Sé está passando atualmente.

As respostas às perguntas a seguir são fornecidas pela Rádio Vaticano (www.radiovaticana.va) e Agência Zenit (www.zenit.org)

Bento XVI

Por que Bento XVI escolheu as 20h do dia 28 de fevereiro para terminar o seu ministério como Papa?

Porque é a hora em que ele normalmente termina o seu dia de trabalho.

Quem vai assessorar Bento XVI após a renúncia?

Quer em Castel Gandolfo, quer no Mosteiro ‘Mater Ecclesia’, Bento XVI será acompanhado por Dom Georg Gaenswein, seu secretário particular, que permanece no cargo de Prefeito da Casa Pontifícia.

Quais serão os últimos compromissos públicos de Bento XVI?

No sábado, 23 de fevereiro, pela manhã, se concluirá o retiro com as palavras proferidas pelo Papa. Às 11h30 de Roma, Bento XVI se reunirá com o presidente italiano, Giorgio Napolitano. No domingo, 24, ao meio-dia, Bento XVI conduzirá o último Ângelus de seu pontificado com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro. Na quarta-feira, 27, a última audiência geral se realizará na Praça São Pedro. Na quinta-feira, 28 de fevereiro, às 11h locais os cardeais saudarão o Papa na Sala Clementina, no Vaticano.

Bento XVI vai aparecer ao público após a renúncia?

Não estão previstas aparições após 28 de fevereiro. Ele deverá deixar o Vaticano de helicóptero às 17 horas do dia 28. Cerca de 15 minutos depois, chegará a Castel Gandolfo onde deverá saudar os vizinhos e visitantes do balcão da fachada principal. Deverá ser a sua última aparição pública.

Bento XVI tem alguma doença grave?

Não, Bento XVI não tem nenhuma doença grave.

É verdade que Bento XVI tem um marcapasso?

Sim, é verdade que Bento XVI tem um marcapasso. Ele tem desde que era Cardeal-Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Há algumas semanas atrás trocaram as baterias do marcapasso.

Qual será o nome do Papa após deixar o cargo em 28 de fevereiro: continuará a se chamar Bento XVI?

“Seguramente será bispo emérito de Roma”, afirma o diretor da Sala de Imprensa, padre Federico Lombardi. Ainda não existe uma regra oficial. No Anuário Pontifício "Bento XVI" continuará a ser o nome oficial utilizado.

Como ele deverá se vestir?

Não se sabe ainda como Bento XVI se vestirá.

Onde Bento XVI vai morar após a renúncia?

Bento XVI residirá em Castel Gandolfo de 28 de fevereiro até o final de abril ou início de maio. Poderá residir no habitual aposento pontifício, pois este não foi lacrado, como ocorre quando morre um Papa. Depois de Castel Gandolfo, Bento XVI residirá no Mosteiro ‘Mater Ecclesia’, no Vaticano. Até outubro de 2012 residiam ali as Irmãs de Clausura visitandinas. Os trabalhos de reforma foram iniciados em novembro de 2012 e serão concluídos nos próximos meses. Bento XVI encontrou as Irmãs visitandinas em duas ocasiões: celebrou a Missa no Mosteiro em 14 de dezembro de 2010, por ocasião da celebração do 4º centenário da fundação da Ordem da Visitação. E posteriormente recebeu as religiosas na Residência Apostólica em 14 de outubro de 2012, uma semana antes de deixarem o Vaticano.

Onde fica Castel Gandolfo?

Fica a 30 km ao sul de Roma, à beira do lago de Albano. A residência foi mandada construir em 1626 pelo Papa Urbano VIII como residência de campo para passar o verão. Desde a sua construção, a Igreja já teve 31 papas, sendo que apenas 15 fizeram uso da residência em algum momento. Bento XVI, nos seus quase oito anos de pontificado, passou longas temporadas neste belo local, onde escreveu parte da trilogia 'Jesus de Nazaré'.

Durante a II Guerra Mundial, os aposentos onde ficará Bento XVI foram transformados numa maternidade, onde nasceram 50 crianças, filhos de italianos que ali se refugiavam. Os pais das crianças, como forma de agradecimento ao Papa Pio XII (Eugenio Pacelli), colocaram o nome das crianças de Eugenio ou Pio.
A Residência Apostólica de Castel Gandolfo e os jardins ao seu redor ocupam 55 hectares, área maior que o Estado do Vaticano. Os jardins, com espaços projetados por Bernini, além das centenas de árvores, tem um espaço especial dedicado à Virgem Maria. Nas três vilas que formam o complexo (a Residência Papal, a Vila Barberini e outra destinada à administração), trabalham 55 pessoas, sendo que muitas vivem no local com suas famílias. O complexo também conta com exploração leiteira, produzindo cerca de 600 litros/dia, vendidos no supermercado Vaticano ou em leiterias locais. Ali também são criadas galinhas e produzidas verduras. A Residência Apostólica não possui grandes obras de arte, destacando apenas a beleza de algumas tapeçarias. A beleza do lugar e do lago de origem vulcânica suprem o que falta no interior da residência.

Quem vai morar com Bento XVI no mosteiro Mater Ecclesia, dentro do Vaticano, após a sua aposentadoria?

Os Memores (grupo de mulheres consagradas, membros da família pontifícia, que auxiliam o papa nas necessidades regulares de casa) e seu secretário pessoal, monsenhor Georg Gänswein.

Qual o balanço das audiências gerais realizadas no pontificado de Bento XVI?

Em 27 de fevereiro será a última Audiência Geral de Bento XVI. Em 27 de abril de 2005, por sua vez, foi realizada a primeira. Em quase 8 anos de pontificado, Bento XVI presidiu 348 Audiências Gerais, das quais participaram 4.982.600 fiéis (dados até dezembro de 2012). A maior participação foi em 2006, quando, das 45 audiências, participaram 1.031.500 fiéis.

A seguir, os dados de cada ano:

Em 2005, 32 Audiências Gerais, 810.000 fiéis

Em 2006, 45 Audiências Gerais, 1.031.500 fiéis
Em 2007, 44 Audiências Gerais, 729.100 fiéis
Em 2008 , 42 Audiências Gerais, 534.500 fiéis
Em 2009, 44 Audiências Gerais, 537.500 fiéis
Em 2010, 45 Audiências Gerais, 493.000 fiéis
Em 2011, 45 Audiências Gerais, 400.000 fiéis
Em 2012, 43 Audiências Gerais, 447.000 fiéis
Em 2013, 8 Audiências Gerais (sem dados)

É verdade que Bento XVI decidiu demitir-se durante sua viagem apostólica ao México?

Durante sua viagem apostólica ao México e Cuba, Bento XVI amadureceu o tema de sua renúncia como uma etapa a mais no seu longo processo de reflexão e discernimento. Além disso, a viagem não teve qualquer relevância a este respeito.

Por que Bento XVI decidiu ficar, depois de dois meses em Castel Gandolfo, num mosteiro no Vaticano e não retornar à Baviera, sua terra natal?

Bento XVI não mencionou claramente, mas a presença e oração de Bento XVI no Vaticano dá uma continuidade espiritual ao papado. Além disso, Bento XVI mora no Vaticano há mais de três décadas.

Quais são as razões exatas dadas por Bento XVI para a sua renúncia?

Na segunda-feira 11 de fevereiro, o Papa Bento XVI afirmou explicitamente que chegou “à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino” e também mencionou que, para governar a Igreja e anunciar o Evangelho, é necessário “o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado”.

Como Bento XVI será chamado a partir do dia 28 de fevereiro?

Continuará a chamar-se Sua Santidade Bento XVI, mas foi escolhido também Papa Emérito ou Romano Pontífice Emérito.

Quais serâo suas vestes?

Sobre as vestes: branca, simples, sem mantelete. Não são mais previstas os sapatos vermelhos. "Parece que o Papa ficou muito satisfeito com os sapatos que lhe presentearam no México, em Leon". Não usará mais o anel do pecador, para o qual o Camerlengo, com o decano, darão o fim que a Constituição prevê.

Conclave

O que é um Conclave?

O Conclave, que vem do latim cum clave (fechado), foi instituído apenas em 1271 pelo Papa Gregório X e a obrigação do voto secreto só surgiu a partir de 1621. A obrigação do segredo dos Cardeais durante e após o Conclave veio apenas com o papado de Pio X, e que incluía também a obrigatoriedade da conservação da documentação em arquivos. Em 1922, um Motu Próprio de Pio XI determinou a espera de 15 dias para iniciar o Conclave, a fim de aguardar a chegada dos cardeais de todo o mundo. A Constituição Apostólica Vacantis Apostolicae Sedis, de 8 de dezembro de 1945, do Papa Pio XII, determinou a maioria de 2/3 mais 1 dos votos dos Cardeais. O Motu Próprio Summi Pontificis electio, de João XXIII teve por objetivo uma simplificação do processo eleitoral. As listas das votações deveriam ser conservadas em um arquivo e consultadas somente com a autorização de um Papa. As anotações dos cardeais também deveriam ser conservadas e não queimadas como no tempo de Pio XII e por fim, deveriam ser queimadas somente as cédulas eleitorais.

Foi o Papa João Paulo II quem fixou que o Conclave deveria ser realizado na Capela Sistina. Paulo VI dizia que ‘normalmente’ os Conclaves deveriam ser ali realizados, enquanto que ao longo da história, se dizia que o Conclave deveria ser realizado no local onde o pontífice viesse a morrer. Conclaves foram realizados no Palácio Quirinale, antiga residência dos Papas, em quatro oportunidades. Também foi João Paulo II que definiu a Casa Santa Marta como local de acolhida dos Cardeais durante o Conclave. João Paulo II também aboliu as formas de eleição ‘por aclamação’ ou ‘por compromisso’, mantendo apenas a forma ‘por escrutínio’.

Como será o Conclave que vai eleger o sucessor de Bento XVI?

Está previsto para começar entre 15 e 20 de março, mas seu início poderá ser antecipado. A Constituição ‘Universi Domini Gregis’ prevê um tempo de espera para a chegada dos Cardeais a Roma. Como todos sabem que em 28 de fevereiro a Santa Sé fica Vacante, não faz sentido esperar todo este tempo para iniciar o Conclave, uma vez que todos os Cardeais já podem ter chegado a Roma. Bento XVI estuda a possibilidade de publicar um Motu Proprio nos próximos dias, obviamente antes da Sé Vacante, para precisar alguns pontos particulares da Constituição Apostólica sobre o Conclave que nos últimos anos foram apresentadas.

Bento XVI vai participar do Conclave para eleger seu sucessor?

Não. Bento XVI não vai participar do Conclave para eleger o seu sucessor e nem fará parte do Colégio Cardinalício.

Quem são os cardeais?

São os mais elevados assessores do Papa para os assuntos da Igreja. Eles são nomeados pelo Papa em Consistório. O Cardeal Decano preside o Colégio de Cardeais, e entre suas prerrogativas está a de perguntar ao eleito, no Conclave, se ele aceita ou não a missão. Também é o Cardeal Decano quem faz a consagração episcopal do papa eleito, caso este ainda não o seja. O Cardeal Vigário é o único que representa o Papa no governo da Diocese de Roma.

Em 1958, João XXIII excedeu o limite de 70 cardeais, e estabeleceu que a todas as três ordens de cardeais (diácono, presbítero e bispo) deve ser dada a dignidade episcopal.

De acordo com o Código de Direito Canônico (cân. 349) as funções do Colégio de Cardeais são essencialmente três:

- Eleição, de forma colegial, do Romano Pontífice;

- Aconselhar o Papa no Consistório em assuntos de maior importância;
- Ajudar os cardeais, como indivíduos, e ao Romano Pontífice no cuidado diário da Igreja universal. Somente cardeais ocupam os seguintes cargos ocupados na Cúria Romana: Presidente da Secretaria de Estado; membros das Congregações romanas e prefeitos; os membros do Conselho de Administração; Presidente da Prefeitura para os negócios econômicos; presidente da Penitenciaria Apostólica.

A ação colegiada dos cardeais como conselheiros do Papa ocorre principalmente no Consistório, que se reune sob a presidência deste. No entanto, o Papa pode reunir os cardeais em sessão plenária, mesmo que isso toma a forma do Consistório.

Quais as regras do funcionamento do Colégio de Cardeais?

O Colégio dos Cardeais é dividido em três ordens: a ordem episcopal, que pertencem os Cardeais a quem o Romano Pontífice atribui o título de uma Igreja suburbicária, e os Patriarcas orientais que são membros do Colégio de Cardeais; a ordem de sacerdotes e a ordem diaconal, a quem é atribuído o título de uma paróquia romana.

O Cardeal Decano tem o título da diocese de Óstia, juntamente com a outra igreja de que era o título anterior. Por uma escolha feita em Consistório e aprovada pelo Sumo Pontífice, os Cardeais da ordem sacerdotal, respeitando a prioridade de ordem e promoção, podem se mover para um outro título; os cardeais que tiverem permanecido na ordem diaconal por uma década inteira, pode ser elevados à ordem presbiteral.

Quem pode ser cardeal?

Pelo Cânon 351, podem receber este título homens livremente escolhidos pelo Romano Pontífice, que são, no mínimo, sacerdotes, com excepcional conhecimento em doutrina, virtude, piedade e prudência em questões práticas. Os que não são bispos devem receber a consagração episcopal . Os cardeais são criados por um decreto do Papa.

Como funciona o Consistório?

Em um Consistório ordinário, todos os Cardeais são convocados, pelo menos aqueles que estão em Roma para consulta sobre certos assuntos graves. No caso de um Consistório extraordinário, quando é sugerido pelas necessidades peculiares da Igreja ou o tratamento de assuntos sérios, são convocados todos os cardeais.

Apenas um Consistório ordinário pode ser público, isto é, quando, além dos Cardeais, são permitidos prelados, representantes da sociedade civil e outros que são convidados.

Quantos cardeais votarão no Conclave?

Estão aptos a votar 117, dos quais 67 criados por Bento XVI. Também os Cardeais que cumprirão 80 anos no mês de março (como Kasper e Poletto) participarão do Conclave. O limite previsto, para o voto, é para quem já atingiu esta idade até o primeiro dia da Sé Vacante.

Onde os cardeais eleitores ficarão acomodados?

Os cardeais eleitores ficarão alojados no Vaticano, na Domus Sanctae Marthae, a partir de 1º de março. O Cardeal decano do Colégio cardinalício é o Cardeal Angelo Sodano, que tem mais de 80 anos de idade. A ele diz respeito todas as funções que as normas atribuem ao decano até o momento em que os cardeais entram no Conclave. Após o início do Conclave, quando estarão reunidos somente os bispos eleitores, o decano passa a ser o Cardeal Giovanni Battista Re, baseado na sua idade e por pertencer à ordem mais elevada dos bispos. (É o cardeal-bispo mais idoso).

Porque apenas os cardeais votam no Conclave?

O Papa é chefe da Igreja Universal, mas também bispo de Roma. Em função desta estreita ligação, cada Cardeal, independente do país de origem, é titular de uma paróquia em Roma.

Quem pode alterar as regras do Conclave?

Somente um pontífice pode alterar as regras que regem um Conclave.

Bento XVI mudou as regras para a eleição de um Papa nas últimas semanas?

Não. Bento XVI não mudou recentemente as regras para a eleição de um Papa. Em 2007, ele fez uma pequena alteração para mudar o sistema de votação. Essa modificação de 2007 estabelece que é necessário uma maioria de dois terços na votação realizada no Conclave. O resto das normas vigentes continua a ser as da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis.

Quantos Conclaves já foram realizados?

O próximo, a ser realizado em março, será o 75º Conclave da história.

Por que foi preciso publicar o Motu Proprio"Normas nonnullas" com o qual se substituem algumas normas presentes na Constituição Universi Dominici gregis, promulgada em 1996 por João Paulo II?

Resposta do vice-camerlengo:, Dom Pierluigi Celata: "A intenção geral que impeliu o Santo Padre é por ele mesmo claramente indicada: considerada a importância da matéria, assegurar o melhor desenvolvimento do que concerne à eleição do Romano Pontífice, em particular uma melhor interpretação e aplicação de algumas disposições da própria Constituição."
O que o Motu Próprio "Normas nonnullas" destaca sobre a eleição do novo Papa?

Em particular, para uma válida eleição do Pontífice é sempre exigida ao menos a maioria dos dois terços dos votos dos cardeais eleitores e votantes. Nenhum cardeal eleitor poderá ser excluído da eleição por nenhum motivo ou pretexto. Permanece confirmado o período de espera de 15 dias antes do início do Conclave.

O Motu Próprio "Normas nonnullas"abriu portas para que o Conclave seja antecipado?
O Colégio dos cardeais, se consta a presença de todos os cardeais eleitores, tem a faculdade de antecipar o início do Conclave. A abertura pode também ser adiada em caso de motivos graves. Mas transcorridos ao máximo vinte dias do início da Sé Vacante, todos os cardeais eleitores devem iniciar a eleição.

Quando começam os encontros dos cardeais chamados de “Congregações”?

Reponde Pe. Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé: "É claro que não poder ter início antes de 1º de março. E por que não podem se encontrar antes de 1º de março? é preciso que sejam convocados para a primeira congregação geral e, provavelmente, não é exatamente na primeira congregação geral que decidem algo dessa natureza. Portanto, creio que devemos ainda esperar alguns dos primeiros dias de março para termos a decisão formal."

Sé Vacante

Quais papas já renunciaram?

De acordo com o Vice-Prefeito da Biblioteca Apostólica Vaticana, Dr. Ambrogio Piazzoni, que escreveu um livro sobre a história da eleição dos papas, alguns Pontífices renunciaram obrigados e outros por livre e espontânea vontade. Papa Ponciano, em 235, foi condenado a trabalhar numa mina na Sardenha. Papa Silvério, em 537, foi obrigado a abdicar e exilar-se na Ásia Menor. Martino V foi preso e mandado para a Criméia. Sobre o Papa João XVIII, em 1009, não se tem muita certeza, mas é muito provável que tenha renunciado. Bento IX, em 1044, renunciou e após voltou ao papado. Posteriormente Celestino V, que reconheceu não estar preparado e por fim Gregório XII em 1415.

A renúncia de um Papa está prevista na Igreja?

Sim. A renúncia de um Papa está prevista e regulamentada pelo Código de Direito Canônico.

Qual é o termo correto para descrever o que o Papa fez?

"Renúncia" seria o termo mais específico e técnico. "Demissão" não, porque pressupõe que alguém aceita a demissão para que tenha efeito e, no caso do Papa, isso não é necessário. "Abdicação" seria o termo mais adequado para um rei.

O Anel: poderá ser destruído, como o selo papal?

O anel do pescador é o sinal visível da autoridade do Papa, que ele recebe no momento solene no início do Pontificado e que usa no dedo anular direito. Esta insígnia papal é documentada desde o tempo de Clemente IV (por volta de 1265) e era utilizada como selo secreto para correspondências privadas. Durante a solene celebração do início do Pontificado, o Cardeal Decano do Sacro Colégio o coloca no anular da mão direita do novo Papa. O anel, confeccionado em ouro, além de gravado o nome do Pontífice, tem a imagem em relevo do Apóstolo Pedro pescando sobre uma barca. Com a morte de cada Papa, o Cardeal Camerlengo o retira do dedo e, na presença dos representantes do Colégio dos Cardeais quebra-o, indicando com tal gesto o final do pontificado.

A Quarta Encíclica sobre a Fé: será publicada até o final de fevereiro?

O texto não está em condições de ser traduzido e publicado. Assim, este permanece como um documento que poderá vir a público posteriormente, mas talvez não na forma de Encíclica.

O que faz a Igreja durante a Sé Vacante?

Segundo a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, “em tempo de Sé Vacante, e sobretudo durante o período em que se desenvolve a eleição do sucessor de Pedro, a Igreja está unida em modo todo particular com os sagrados Pastores e especialmente com os Cardeais eleitores do Sumo Pontífice e implora a Deus o novo papa como dom de sua bondade e Providência. À exemplo da primeira comunidade cristã, da qual se fala no Ato dos Apóstolos (cf. At 1,14), a Igreja Universal, espiritualmente unida com Maria, Mãe de Jesus, deve perseverar unanimemente na oração; assim, a eleição do novo Pontífice não será um fato isolado do Povo de Deus e dizendo respeito somente ao Colégio dos eleitores, mas, num certo sentido, uma ação de toda a Igreja”.

Neste sentido, o beato João Paulo II pediu neste documento que “em todas as cidades e nos outros lugares, pelo menos os mais distintos, assim que se tenha a notícia da vacância da Sé Apostólica e, de modo particular, da morte do Pontífice, após a celebração das solenes exéquias, se elevem humildes e insistentes orações ao Senhor (cf. Mt 21,22; Mc 11,24), para que ilumine a alma dos eleitores e os torne assim concordes na sua tarefa, que se obtenha uma solícita, unânime e frutuosa eleição, como exige a saúde das almas e o bem de todo o Povo de Deus”.

Quais as atribuições do Cardeal Camerlengo?

O Camerlengo, atualmente o cardeal italiano Tarcisio Bertone (nomeado em 4 de abril de 2007), é quem preside a Câmara Apostólica e que exerce a função de cuidar e administrar os bens e os direitos temporais da Santa Sé. No período da Sé Vacante, ele está entre aqueles que não entregam seu cargo e que continuam a exercer suas funções ordinárias, submetendo ao Colégio cardinalício aquilo que deveria ser apresentado ao Sumo Pontífice. Segundo a Constituição Universi Dominici Gregis, compete a ele:

  • colocar os selos que lacram os aposentos do Papa, dispondo que as pessoas que habitualmente frequentam o apartamento privado, possam permanecer até depois do sepultamento (em caso de morte do Pontífice), quando então todo o apartamento pontifício será fechado e selado;
  • comunicar a morte do Papa tanto ao Cardeal Vigário de Roma, que por sua vez, dá a notícia ao Povo de Roma com notificação especial, quanto ao Cardeal Arcipreste da Basílica Vaticana;
  • tomar posse da Residência Apostólica Vaticana e, pessoalmente ou por delegado, das Residências de Latrão e de Castel Gandolfo;
  • estabelecer, ouvidos os Cardeais Chefes das três Ordens, tudo aquilo que concerne à sepultura do Pontífice;
  • presidir a Congregação particular constituída pelo mesmo Cardeal e por três Cardeais Assistentes e que tem a tarefa de administrar as questões de menor importância;
  • decidir o dia em que devem iniciar as Congregações gerais para a preparação da eleição do Papa;
  • predispor, junto aos Cardeais que desempenhavam respectivamente a função de Secretário de Estado e de Presidente da Pontifica Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano, as dependências da Domus Sanctae Marthae para a conveniente acomodação dos Cardeais eleitores e prover com eles os detalhes para a preparação da capela Sistina, a fim de que as operações relativas à eleição possam se realizar facilmente, de modo ordenado e com a máxima reserva;
  • Se a Sé do Penitenciário Mor estiver vacante, presenciar junto aos três Cardeais Assistentes à abertura das cédulas para a sua eleição que se dá por meio de votação secreta de todos os Cardeais eleitores presentes;
  • conceder permissão para eventuais fotografias a título de documentação do Pontífice defunto;
  • desde o início do processo da eleição assegurar com a colaboração externa do Substituto da Secretaria de Estado o fechamento da Domus Sancatae Marthae e da Capela Sistina e dos ambientes destinados às celebrações litúrgicas às pessoas não autorizadas;
  • receber o juramento dos cardeais sobre a observância do segredo do voto;
  • É obrigado a vigiar com diligência, junto aos três Cardeais Assistentes pro tempore, para que não seja de modo algum violada a confidencialidade do que ocorre na Capela Sistina, recebendo dos Cardeais eleitores, onde se realizam as operações de votações e dos espaços adjacentes, tanto antes quanto durante e depois tais operações, os escritos de qualquer natureza, que tenham consigo, relativos ao êxito de cada escrutínio, a fim de que sejam queimados com as cédulas.

(FONTE)

Restaurar a comunhão (I): parábola do rico e o pobre

Lucas 16, 19-31

5ª. Feira Segunda semana da quaresma

Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se convencerão[1]

A fraternidade que nasce do beber o cálice de Jesus se rompe quando não conseguimos compartilhar a mesa.

A parábola conhecida como do “Rico comilão” retrata uma cena familiar em nossa sociedade. Porém não se limita a isto. Também nos mostra a segunda cena, que agora não vemos, porém que virá. Na mudança de cena mostra-se como Deus não é indiferente frente à situação e como toma posição.

A história gira em torno da mesa, símbolo de acolhida, de comunhão, de irmandade:
(1) Na primeira parte se descreve a tremenda desproporção: por uma parte, um rico que se permite as melhores roupas e uma lauta mesa para banquetear todos os dias; e por outra parte, um pobre chamado Lázaro, mendigo, com as chagas desnudas e faminto (ver Lc 16,19-22).

(2) Com a morte se invertem as situações: o último é levado pelos anjos à mesa de Deus, num lugar de honra, ao lado de Abraão; e do rico simplesmente se diz que foi sepultado (ver 16,22).

O nome “Lázaro” é compreendido melhor agora: “Deus socorreu”. Quem foi ignorado na terra e não teve senão a Deus a seu lado, agora goza de sua íntima companhia: Ele é sua plenitude.

A menção da “consolação” do pobre e do “tormento” do rico (vv.23-26), nos reenvia à proclamação das bem-aventuranças de Jesus: “Bem aventurados os pobres porque deles é o Reino de Deus... os que tendes fome agora, porque sereis saciados; porém Ai  de vós, os ricos!, porque tendes recebido vosso consolo!... Ai de vós, os que agora estais fartos!, porque tereis fome” (Lc 6,20-21ª.24-25ª). Esta é a realização do anúncio da Boa Nova aos pobres (ver Lc 4,18).

A parábola nos mostra o que sucede quando se rompe a solidariedade entre ricos e pobres, quando o critério de vida dos primeiros é o egoísmo, a indiferença frente ao indigente que está em frente à sua porta. Ao rico não se lhe reprova que tenha bens, mas que não tenha se preocupado com os pobres.

Quando o rico atormentado tenta fazer algo para salvar a seus irmãos que seguem banqueteando na terra e ignorando a seus irmãos pobres, encontra uma única resposta: “Tem a Moisés e aos profetas; que os ouçam” (v.29). Está se falando das Santas Escrituras: ali se pede aos israelitas que se preocupem com os pobres, com os órfãos e com as viúvas (ver Êxodo 22,21-24, por exemplo). Tudo isto está consignado no mandamento d amor.

No final volta e insiste com aquele que nunca se deixou cutucar pelo mundo da miséria: “Se  não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se convencerão, ainda que um morto ressuscite” (v.31). Se o caminho da Palavra que nos ensina que o compartilhar e a comunhão de bens são o distintivo da comunidade pascal (ver Atos 2,42-44) não nos diz nada, tampouco o anúncio da ressurreição conseguirá dizer-nos alguma coisa, e a miséria do crucificado seguirá prolongando-se em seus pobres sem que se comova nossa consciência.

Para cultivar a semente da Palavra na vida:

1. Qual é a mensagem central da parábola?

2. Que relação tem com o mistério pascal de Cristo?

3. Que passos de conversão Jesus me pede nesta quaresma, de maneira que minha vida comunitária e minha responsabilidade social seja uma expressão viva da comunidade nova que nasceu da páscoa?


[1] [1]Autor P. Fidel Oñoro, cjm, (http://www.iglesia.cl/especiales/cuaresma2013/orar2.html), tradução livre de Frei João Carlos Karling,ofm, para o site da Paróquia Rede de Comunidades São José, Gravataí.

Liturgia Diária

Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2013
2ª Semana da Quaresma

Evangelho (Lucas 16,19-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19“Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.
20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’.
25Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’.
27O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!’
30O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”’.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Primeira leitura (Jeremias 17,5-10)

Leitura do Livro do Profeta Jeremias.
5Isto diz o Senhor: “Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; 6como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na secura do ermo, em região salobra e desabitada.
7Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; 8é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca da umidade, e por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos.
9Em tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá conhecê-lo? 10Eu sou o Senhor, que perscruto o coração e provo os sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme o fruto de suas obras”.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Salmo (Salmos 1)

— É feliz quem a Deus se confia!
— É feliz quem a Deus se confia!
— Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.
— Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.
— Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersa pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Unificar a vida na comunhão com o cálice de Jesus

Mateus 20, 17- 28

4ª. Feira Segunda semana da Quaresma

“Podeis beber o cálice que eu vou beber?”

Como é difícil identificar-se com o crucificado! Assim parece dizer-nos o evangelista Mateus ao apresentar-nos a passagem de hoje, à subida de tom da família de Zebedeu, primeiro, e de todo o resto dos discípulos, depois.

O relato tem três partes:

(1) Durante a subida para Jerusalém, Jesus anuncia a paixão pela terceira vez (20,17-19).
(2) Em seguida se aproxima a madre de Tiago e João, filhos de Zebedeu, para pedir-lhe que conceda a seus filhos os melhores postos em seu Reino definitivo. Ao qual segue um diálogo de Jesus com estes dois discípulos (20,20-23).

(3) Finalmente, ante a indignação dos outros dez discípulos pela solicitação apresentada, Jesus põe as à mesa e indica qual é o tipo de grandeza que devem buscar (20,24-28).
O anúncio da paixão é o pano de fundo de toda a cena. Com palavras precisas Jesus descreve seu itinerário pascoal: a entrega às autoridades judias, a condenação, a entrega às autoridades pagãs (e suas respectivas trapaças, açoites e crucificação), e finalmente, a ressurreição.  O itinerário da humilhação e exaltação é claro.

A petição da mãe de Tiago e João – que fala também com linguagem oficial - contrasta fortemente com o que Jesus acaba de dizer. Jesus, porém, não responde a ela, mas aos implicados. O ponto mais importante está na pergunta de Jesus: “Podeis beber o cálice que eu vou beber?” (v.22b), à qual eles consentem.

Beber do cálice é participar da paixão de Jesus, percorrendo seu caminho de dor e entregando a vida junto com ele. Mesmo que Tiago de fato tenha morrido mártir (ver Atos dos Apóstolos 12,2), o convite a beber o cálice não se limita a uma morte física. As palavras de Jesus aos outros dez que estão indignados porque se sentem desbancados pela ousada solicitude dos filhos de Zebedeu, refletem o caminho da paixão que todos os discípulos estão chamados a percorrer: o caminho do serviço à maneira dos escravos, isto é, sem contra-partida, sem nenhum outro motivo que não seja a gratuidade.

Na vida comunitária se constrói a comunhão bebendo todos do mesmo cálice de Jesus. A penitência quaresmal nos tira de nossos individualismos, do intento de criar pequenos espaços pessoais de poder, da comodidade de quem espera ser servido.

Compartilhando o estilo de vida daquele “que não veio para ser servido, mas para servir e para dar sua vida como resgate para muitos” (v.28) rompem-se os esquemas de submissão das alianças políticas e econômicas que configuram o planeta e surge humilde um novo estilo de fazer sociedade. Seu lugar fundacional: a comunhão com o cálice do Mestre.

Para cultivar a semente da Palavra na vida:


1. Como respondes à pergunta de Jesus: “Podes beber do cálice que vou beber?”.

2. O que deve caracterizar o estilo de vida comunitária de todo discípulo de Jesus?

3. À luz deste evangelho, que decisões concretas Jesus me pede que eu tome hoje?


[1]Autor P. Fidel Oñoro, cjm, (http://www.iglesia.cl/especiales/cuaresma2013/orar2.html), tradução livre de Frei João Carlos Karling,ofm, para o site da Paróquia Rede de Comunidades São José, Gravataí.

Liturgia Diária

Quarta-Feira, 27 de Fevereiro de 2013
2ª Semana da Quaresma

Evangelho (Mateus 20,17-28)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 17enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: 18“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, 19e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará”.
20A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: “Que queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. 22Jesus, então, respondeu-lhe: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”.
24Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos.25Jesus, porém, chamou-os, e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo.28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Primeira leitura (Jeremias 18,18-20)

Leitura do Livro do Profeta Jeremias.
Naqueles dias, 18disseram eles: “Vinde para conspirarmos juntos contra Jeremias; um sacerdote não deixará morrer a lei; nem um sábio, o conselho; nem um profeta, a palavra. Vinde para atacarmos com a língua, e não vamos prestar atenção a todas as suas palavras”.
19Atende-me, Senhor, ouve o que dizem meus adversários. 20Acaso pode-se retribuir o bem com o mal? Pois eles cavaram uma cova para mim. Lembra-te de que fui à tua presença, para interceder por eles e tentar afastar deles a tua ira.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Salmo (Salmos 30)

— Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
— Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
— Retirai-me desta rede trai­çoeira, porque sois o meu refúgio protetor! Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel!
— Ao redor, todas as coisas me apavoram; ouço muitos cochichando contra mim; todos juntos se reúnem, conspirando e pensando como vão tirar-me a vida.
— A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, e afirmo que só vós sois o meu Deus! Eu entrego em vossas mãos o meu destino; liber­tai-me do inimigo e do opressor!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Unificar a vida na coerência entre o que se diz e se faz


Mateus 23,1-12

3ª. Feira da segunda semana da quaresma

Porque dizem e não fazem[1]

Somos muito dados a dizer aos demais o que eles tem que fazer e parece que às vezes esquecemos de nos olhar no espelho. As palavras do Senhor, porém, não são sim para uns e não para outros: a exigência é igual para todos. Na comunidade de Jesus não cabe a separação: os que ensinam e os que praticam. Não, todos praticam.
As palavras dirigidas aos fariseus não são exclusivas para eles; elas tocam a todos os membros da Igreja (ver 23,1). Observemos a ordem das idéias:

(1) Jesus valida a autoridade dos mestres da Lei (“Fazei, pois, e observai tudo o que vos dizem”, v.3ª), porém pede: “Não imiteis sua conduta” (v.3b).

(2) Jesus vai ao centro e assinala as três condutas que refletem incoerência:

(a) A dupla vida: “dizer”, porém “não fazer” (v.3c);

(b) a falta de compromisso: “colocar cargas pesadas nos ombros da gente” porém “nem com o dedo movê-las” (v.4);

(c) o buscar o mais visível para ser notado: “Todas as suas obras as fazem para serem vistos pelos homens” (v.5ª). Três exemplos concretos: a roupa, os primeiros lugares nos espaços públicos (banquetes) e religiosos (sinagogas) e a exigência de que os chamem pelo título (vv.5b-7).

(3) Partindo do último ponto (“que as pessoas os chamem Rabi (Mestre)”) Jesus assinala o comportamento distintivo do discípulo: “Vocês, pelo contrário...” (v.8ª):

(a)   A comunidade se constrói numa unidade de base: “vós todos sois irmãos” (v.8c).

(b)   Na comunidade a autoridade é exercida enquanto se vive em comunhão com o único Mestre (v.8b), com o único Pai (v.9) e com o único Diretor (v.10).

(c) A motivação fundamental de todo comportamento cristão deve ser a do serviço (v.11-12).

As palavras de Jesus questionam a vida espiritual: o propósito é que a Palavra desça até o mais profundo e impregne nossa vida, que ponha em crise os critérios de comportamento e suas motivações mais profundas. Quando isto não acontece, em seguida se manifestam as patologias diagnosticadas por Jesus neste evangelho.
Por isso Jesus propõe o caminho da unificação com Ele: partir desde o mais baixo possível, como o servidor que se humilha. Essa foi sua atitude fundamental que se manifestou finalmente na Cruz. A Cruz purifica o coração e o torna autêntico, despoja das aparências e faz com que brote a verdade d ser, coloca a cada pessoa no lugar social correto para que, levantando os pesos dos outros, todos juntos cresçam na direção de Deus Pai, Mestre e Guia em quem tudo converge.

Em nosso Batismo fomos revestidos de Cristo. Não esqueçamos que o problema não está em nos vestirmos como cristãos, mas em “ser” cristãos. O ser cristão emerge de dentro, colocando-nos sob o juízo da Cruz. Recorda os vv.11-12: aos fariseus não temos que imitá-los, mas ao Crucificado, sim.

Para cultivar a semente da Palavra na vida:

1. Quando exercito a “lectio divina” contemplo a mim mesmo no espelho da Palavra ou estou pensando em como aplicá-la aos demais? (Recorde a segunda pergunta da “lectio”: O que me diz o texto?).

2. Em que aspectos de minha vida ainda não fui impregnado pela Palavra de Deus?

3. A Cruz de Jesus põe em crise os meus interesses pessoais e meu afã por ter visibilidade e reconhecimento social?


[1] [1]Autor P. Fidel Oñoro, cjm, (http://www.iglesia.cl/especiales/cuaresma2013/orar2.html), tradução livre de Frei João Carlos Karling,ofm, para o site da Paróquia Rede de Comunidades São José, Gravataí.

Liturgia Diária

Terça-Feira, 26 de Fevereiro de 2013
2ª Semana da Quaresma

Evangelho (Mateus 23,1-12)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: 2“Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.
5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas.
6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas.7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre.8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Primeira leitura (Isaías 1,10.16-20)

Leitura do Livro do Profeta Isaías.
10Ouvi a palavra do Senhor, magistrados de Sodoma, prestai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra. 16Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! 17Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva. 18Vinde, debatamos — diz o Senhor. Ainda que vossos pecados sejam como púrpura, tornar-se-ão brancos como a ne­ve. Se forem vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como lã. 19Se consentirdes em obedecer, comereis as coisas boas da terra. 20Mas se recusardes e vos rebelardes, pela espada sereis devorados, porque a boca do Senhor falou!
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Salmo (Salmos 49)

— A todos que procedem reta­mente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
— A todos que procedem reta­mente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
— Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos; não preciso dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.
— Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!
— Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos.
— Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Evangelho de Lucas: teologia da história

por Frei Gilvander Moreira

O Evangelho de Lucas testemunha uma proposta de libertação e salvação universal, se estende a todos e a tudo, não porque o povo judeu a recusou, mas porque está no plano libertador e salvífico do Deus da vida favorecer toda a humanidade e toda a biodiversidade. O plano libertador-salvífico, segundo o evangelista Lucas, começa com o movimento de Jesus Cristo, no evangelho, e continua no livro de Atos dos Apóstolos sob a ação do Espírito Santo prolongando-se na(s) Igreja(s) – comunidades de fé, amor e esperança - pelo mundo afora.

No plano teológico da obra de Lucas, o tempo da promessa é o Primeiro Testamento, o tempo de Jesus é o evangelho e o tempo da(s) Igreja(s) está em Atos dos Apóstolos. Assim Lucas apresenta uma visão unitária de um único projeto de libertação-salvação, querido pelo Deus da Bíblia, para o ser humano de todos os tempos e testemunhado em sua plenitude em Jesus de Nazaré por meio do dom e da presença do Espírito Santo nas comunidades cristãs.

A cristologia de Lucas revela Jesus como eminentemente compassivo-misericordioso (Lc 7,13; 10,33; 15,20), Salvador de todos (Lc 2,32), curador de todas as doenças (Lc 19,5; 15,2); acolhedor dos samaritanos (Lc 10,29-37; 17,11-19); acolhedor amoroso das mulheres (Lc 8,2-3; 23,49) e praticamente da “comunhão de mesa” com pecadores ao sentar-se à mesa e comer junto com eles (Lc 5,29-30; 15,2; 19,7).

O templo e a cidade de Jerusalém como lugares exclusivos de salvação ou revelação são superados. O povo de Israel, segundo Lucas, não é mais o “povo eleito” por excelência. Basta perceber a prioridade que Lucas dá aos samaritanos e aos gentios. Lucas nos alerta que o lugar por excelência da revelação de Deus é a pessoa de Jesus. O Menino Jesus é reconhecido como “bendito” (Lc 1,42); na sua humanidade “visita” o seu povo e toda a humanidade (Lc 1,68.78; 3,6). Deus, em Jesus, visita amorosamente o povo e dá início, assim, a um tempo de salvação, paz, reconciliação e perdão.

Conzelmann, um estudioso do evangelho de Lucas, afirma que em Jesus, e com ele, o tempo chegou ao seu centro. Por isso ele pôs em um dos seus livros sobre Lucas o seguinte título: O centro do tempo. Os argumentos que sustentam essa tese se apóiam sobre a ênfase dada à palavra hoje, que aparece doze vezes nesse evangelho: Lc 2,11: “Hoje vos nasceu...”; Lc 4,21: “Hoje se cumpre essa passagem da Escritura”; Lc 5,26: “Hoje vimos prodígios...”; Lc 12,28: “A erva que hoje está no campo e amanhã...”; Lc 13,32: “Vão dizer a essa raposa: eu expulso demônios, e faço curas hoje e amanhã...”; Lc 13,33: “Importa, contudo caminhar hoje...”; Lc 19,5: “Pois, me convém ficar hoje em sua casa...”; Lc 19,9: “Hoje a salvação entrou nesta casa...”; Lc 19,42: “Ah se hoje tu conhecesses a paz...”; Lc 22,34: “Afirmo-te, Pedro, que o galo não cantará hoje...”; Lc 22,61: “Hoje três vezes me negarás...”; e Lc 23,43: “Hoje estarás comigo no paraíso...”.

É claro que a palavra “hoje” não tem o mesmo sentido em todos esses versículos, mas o fato de aparecer tantas vezes demonstra como o Jesus apresentado por Lucas valoriza o hoje, o aqui e agora. [“Felizes vós, que agora tendes fome (e chorais), porque sereis saciados (e haveis de rir)” (Lc 6,21)]. “Hoje se cumpre essa passagem da Escritura (Lc 4,21)”. Para entender bem essa afirmação, devemos recordar que, para o povo judeu, toda vez que se lia a Bíblia Deus estava falando e manifestando-se. A Palavra para o mundo semita é viva e eficaz (Is 55,10-11). Pela Palavra, Deus nos visita e devemos ter sensibilidade para captar sua mensagem. O tempo de Deus é o “hoje” da história (Lc 4,21). É como canta Zé Vicente, um dos cantores das Comunidades Eclesiais de Base: “Nas horas de Deus, amém!... Luz de Deus em todo canto... Que o coração do meu povo de amor se torne novo...”.[1] E como diz Rubem Alves no livro Tempus Fugit: “Só descobrimos a beleza do momento presente, do hoje e do agora, quando descobrimos que o tempo é fugidio, escorre, passa e não volta nunca mais. Quando chegamos a essa descoberta passamos a viver com intensidade cada minuto e cada segundo da nossa vida.[2] Eis um dos traços da teologia lucana.

Para Lucas a prática é decisiva. Isto é comprovado na obra lucana com expressões como: “Façam coisas para provar que vocês se converteram...” (Lc 3,8a); “As multidões, alguns cobradores de impostos, alguns soldados... perguntaram a João Batista: ‘O que devemos fazer?’” (Lc 3,10.12.14). Um escriba pergunta a Jesus: “O que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” (Lc 10,25) e depois de contar o “episódio-parábola” do Bom Samaritano, Jesus responde dizendo: “Vá, e faça a mesma coisa” (Lc 10,37). Muitos outros textos podem ser evocados para respaldar a conclusão de que Lucas dá uma grande prioridade à ação. O primeiro versículo dos Atos dos Apóstolos traz a seguinte frase: “... tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar”. A prática é recordada antes do ensinamento, o que quer dizer que acima da ortodoxia está a ortopráxis. Mais importante do que ter uma “opinião certa” é ter uma prática correta, libertadora. Por aqui entrevemos a perspectiva universal da teologia lucana. Lucas quer dizer que uma das grandes características das primeiras comunidades é que eram comunidades de ação, de prática, de testemunho libertador. Não se trata de qualquer tipo de ação, mas de ação solidária e libertadora.

Lucas apresenta as seguintes condições para seguir Jesus: viver em pobreza radical,[3] não temer repressões,[4] não fazer discriminação racial ou cultural,[5] acolher preferencialmente os pobres.[6]

Ser discípulo do Galileu significa seguir os passos de Jesus, acompanhá-lo rumo a “Jerusalém”, onde cumprirá o seu “destino”, o seu “êxodo” rumo ao Pai. Ser discípulo de Jesus Cristo inclui não somente a aceitação do ensinamento do Mestre, mas também uma identificação pessoal com o estilo de vida de Jesus e com seu compromisso com os pobres que pode levar, muitas vezes, ao martírio como caminho para a ressurreição.

Jesus vive a espiritualidade do conflito, apesar do caminho da cruz, o clima predominante é de entusiasmo e alegria,[7] cultivando assim a serenidade e a paz interior diante das “tempestades”.

Belo Horizonte, MG, Brasil, 18 de fevereiro de 2013.


[1]   Zé Vicente, CD Nas horas de Deus, Amém, primeira música. São Paulo, Comep/Paulinas.

[2]   Cf. Alves, R. Tempus Fugit. São Paulo, Paulus, 1990. p. 11.

[3]   Cf. Lc 12,21-33; 14,33.

[4]   Cf. Lc 12,1-7; 11.22-23.

[5]   Cf. Lc 10,25-37.

[6]   Cf. Lc 14,12-14.15-24.

[7]   Cf. Lc 10,17.20-21; 15,7.10.32; 19,6.

Liturgia Diária

Segunda-Feira, 25 de Fevereiro de 2013
2ª Semana da Quaresma

Evangelho (Lucas 6,36-38)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 36“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. 38Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Primeira leitura (Daniel 9,4b-10)

Leitura da Profecia de Daniel.
4b“Eu te suplico, Senhor, Deus grande e terrível, que preservas a aliança e a benevolência aos que te amam e cumprem teus mandamentos; 5temos pecado, temos praticado a injustiça e a impiedade, temos sido rebeldes, afastando-nos de teus mandamentos e de tua lei; 6não temos prestado ouvidos a teus servos, os profetas, que, em teu nome, falaram a nossos reis e príncipes, a nossos antepassados e a todo povo do país.
7A ti, Senhor, convém a justiça; e a nós, hoje, resta-nos ter vergonha no rosto: seja ao homem de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo Israel, seja aos que moram perto e aos que moram longe, de todos os países, para onde os escorraçaste por causa das infidelidades cometidas contra ti.
8A nós, Senhor, resta-nos ter vergonha no rosto: a nossos reis e príncipes, e a nossos antepassados, pois que pecamos contra ti; 9mas a ti, Senhor, nosso Deus, cabe misericórdia e perdão, pois nos temos rebelado contra ti, 10e não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus, indicando-nos o caminho de sua lei, que nos propôs mediante seus servos, os profetas”.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Salmo (Salmos 78)

— O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas.
— O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas.
— Não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade, pois estamos humilhados em extremo.
— Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados!
— Até vós chegue o gemido dos cativos: libertai com vosso braço poderoso os que foram condenados a morrer!
— Quanto a nós, vosso rebanho e vosso povo, celebraremos vosso nome para sempre, de geração em geração vos louvaremos.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Transfiguração: celebração antecipada da vitória sobre a cruz - Ildo Bohn Gass

por CEBI Publicações

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Segundo os evangelistas, a cena da transfiguração está em meio aos anúncios da paixão. A intenção é mostrar como a cruz faz parte da vida de quem assume o projeto do Pai até as últimas consequências. A fidelidade a Deus e ao resgate da vida dos pobres contraria interesses religiosos, econômicos e políticos. Nesse sentido, a perseguição pelos poderes que governam este mundo é inevitável na vida de quem assume a causa do Reino e de sua justiça.

Este relato é uma leitura pós-pascal e pretende narrar antecipadamente a vitória de Jesus sobre a morte na cruz, apresentando-o como o messias glorioso. É o que indicam seu rosto transfigurado e suas vestes resplandecentes de brancura (Lc 9,29). A ressurreição, a vitória sobre os poderosos, é a vida em toda a sua plenitude que vence os poderes de morte deste mundo.

Lucas é o único evangelista a informar que Jesus subiu o monte com o propósito de orar (Lc 9,28), buscando estar em sintonia constante com o Pai, de modo que o Espírito dele fosse a força a conduzir a sua missão (Lc 4,14-19).

Elias é o representante da profecia. Moisés faz lembrar não somente o êxodo, mas também todo Pentateuco, toda lei, que a tradição judaica atribuía a ele. Por um lado, a lei e os profetas, isto é as Escrituras todas, se cumprem em Jesus. Ou seja, o Nazareno dá continuidade à primeira aliança, levando-a à sua plenitude. Por outro lado, as comunidades apresentam Jesus como um profeta que, tal como os profetas Elias (1Rs 17,1) e Moisés (Dt 18,15), veio anunciar um novo êxodo de liberdade para seu povo. O fato de Jesus subir no monte, acompanhado por Pedro, Tiago e João, confirma esta perspectiva, pois é uma referência ao monte Sinai, no qual Deus deu a conhecer ao povo o seu projeto de vida e de liberdade, que Moisés registrou no decálogo (Ex 20,2-17). A tradição identificou a montanha da transfiguração com o monte Tabor. E Jesus é apresentado ao mundo como o novo Moisés que vem para resgatar a essência da lei, isto é, o amor que liberta e promove a vida de todos igualmente.

Ao propor ficar na montanha e construir três tendas (Lc 9,33), Pedro revela sua dureza de coração. Segundo os evangelistas Mateus e Marcos, fazia pouco tempo que Jesus já lhe tinha chamado a atenção para sua cegueira, acusando-o de cumprir a função de Satanás como pedra de tropeço no projeto de Deus (Mt 16,22-23; Mc 8,33). Mesmo assim, Pedro ainda não compreendera que a construção da justiça do Reino não permite privilégios, nem acomodação. Ser discípulo não é somente participar da glória de Jesus, mas é também carregar a sua cruz, gerando e defendendo a vida.

A nuvem (Lc 9,34) é um dos símbolos privilegiados na Bíblia para falar da presença de Deus (Ex 13,21; 16,10; 34,5; Nm 12,5). E, tal como Maria fora envolvida pela sombra do poder do Altíssimo (Lc 1,35), agora desceu uma nuvem sobre a montanha, envolvendo-os. É o Pai confirmando a missão do Filho. Da nuvem saiu uma voz que disse: "Este é meu filho, o meu eleito; ouvi-o", da mesma forma como já havia anunciado por ocasião do batismo (Lc 3,22). Jesus é o Emanuel, presença libertadora de Deus entre nós (Mt 1,23).

Não é possível acomodar-se no alto da montanha. Ouvir a sua voz desinstala e leva a descer para junto do povo sofrido e tornar o Reino de Deus presente, sem ufanismo ou triunfalismo (Lc 9,37). Mas ciente de que o seguimento humilde da prática libertadora de Jesus significa estar disposto a também sofrer as consequências da cruz.

Ildo Bohn Gass é bliblista, leigo católico. Junto com o Pastor Carlos Dreher (IECLB) e a Revma. Lucia Sírtoli (IEAB), é autor do livro O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.

A Transfiguração: Nova maneira de realizar as profecias (Lc 9,28-36)

Carlos Mesters e Mercedes Lopes

A TRANSFIGURAÇÃO

NOVA MANEIRA DE REALIZAR AS PROFECIAS

Lucas 9,28-36

No texto de hoje, Lucas descreve a Transfiguração. Tem momentos na vida em que o sofrimento é tanto, que a gente chega a pensar: "Deus me abandonou! Não está mais comigo!" E de repente a gente descobre que Ele nunca tinha ido embora, mas que a gente mesma estava com os olhos vendados, sem enxergar a presença dele. Aí, tudo muda e fica transfigurado. É a Transfiguração!

SITUANDO

O novo vai abrindo caminho, a transformação vai acontecendo. As tensões entre o Novo e o Antigo foram crescendo. No fim, Jesus fez um levantamento e percebeu que ninguém tinha entendido a sua proposta. O povo o imaginava como João Batista, Elias ou algum dos antigos profetas (Lc 9,18-19). Os discípulos o aceitavam como Messias, mas como Messias glorioso, bem de acordo com a propaganda do Governo e da religião oficial do Templo (Lc 9,20-21). Jesus tentou explicar aos discípulos que o caminho previsto pelos profetas era o caminho do sofrimento, como consequência do compromisso assumido com os excluídos, e que o discípulo só poderia ser discípulo se carregasse a cruz atrás dele (Lc 9,22-26). Mas não teve muito êxito. É neste contexto de crise que acontece a Transfiguração.

COMENTANDO

1. Lucas 9,28: O momento da crise

Várias vezes, Jesus já tinha entrado em conflito com as autoridades. Ele sabia que não iam deixá-lo fazer o que estava fazendo. Mais cedo ou mais tarde, iriam prendê-lo. Pois, dentro daquela sociedade, o anúncio do Reino, do jeito que era feito por Jesus, não seria tolerado. Ou ele voltava atrás, ou seria morto! Não havia outra alternativa. Jesus não voltaria atrás. Por isso, a cruz aparece no horizonte, já não como uma possibilidade, mas sim como uma certeza (Lc 9,22). Junto com a cruz aparece a tentação de seguir pelo caminho do Messias Glorioso e não pelo caminho do Servo Crucificado. Nesta hora difícil, Jesus sobe a montanha para rezar, levando consigo Pedro, Tiago e João.

2. Lucas 9,29-31: Durante a oração

Enquanto reza, Jesus muda de aspecto e diante dos discípulos aparece glorioso, do jeito que eles o imaginavam. E junto com Jesus na mesma glória aparecem Moisés e Elias, os dois maiores do AT, que representavam a Lei e os Profetas. Eles conversam com Jesus sobre "o êxodo a ser completado em Jerusalém". Assim, diante dos discípulos, a Lei e os Profetas confirmam que Jesus é realmente o Messias Glorioso, prometido no AT e esperado pelo povo. Mas confirmam também que o caminho para a glória passa pela travessia dolorosa do "Êxodo". O êxodo de Jesus é a sua paixão, morte e ressurreição. Pelo seu êxodo, ele vai quebrar o domínio da propaganda do governo e da religião oficial, que mantinha todos presos dentro da visão do Messias glorioso nacionalista. Jesus vai libertar o povo da Cruz. Parece que a fala da cruz não agrada. Eles querem é segurar o momento da glória no alto do Monte e se oferecem para construir três tendas.

3. Lucas 9,32-34: A reação dos Discípulos 

Eles estavam dormindo e só acordaram no fim. Ainda puderam ver um restinho da glória de Jesus, mas não escutaram a conversa sobre o êxodo. Como acontece conosco tantas vezes, eles escutaram só aquilo que lhes interessava. O resto escapou da atenção deles! E agora, acordando, falam bobagem, ficam com medo e não querem mais descer. Toda vez que se fala da cruz, tanto no Monte da Transfiguração como no Monte das Oliveiras (Lc 22,45), eles dormem. Gostam mais da glória do que da cruz. Parece que a fala da cruz não agrada. Eles querem é segurar o momento da glória no alto do Monte e se oferecem para construir três tendas.

4. Lucas 9,35-36: A voz do Pai

A voz do Pai sai da nuvem e diz: "Este é o meu filho, o eleito, ouçam-no". Com esta mesma frase o profeta Isaías tinha anunciado o Messias-Servo (Is 42,1). Depois de Moisés e Elias, agora é o próprio Pai que apresenta Jesus como Messias-Servo que chega a glória através da cruz. No fim da visão, Moisés e Elias desaparecem e só fica Jesus. Isto significa que, daqui para frente, quem interpreta a Escritura e a Vontade de Deus para o povo será Jesus, só ele! Ele é a Palavra de Deus para os discípulos: 'Ouçam-no!'

ALARGANDO

A Transfiguração é narrada em três Evangelhos: Mateus, Marcos e Lucas. Sinal de que este episódio tinha uma mensagem importante para as primeira comunidades. Ela foi uma ajuda para superar a crise que a cruz e o sofrimento provocaram nos discípulos e discípulas. A Transfiguração continua sendo ajuda para superar a crise que o sofrimento e a cruz provocam hoje. Os três discípulos dorminhocos são o espelho de todos nós. A voz do Pai diz a eles e a nós: "Este é o meu filho, o eleito, ouçam-no!"

No Evangelho de Lucas, há uma semelhança muito grande entre a cena da Transfiguração (Lc 9,28-36) e a cena da agonia de Jesus no Horto das Oliveiras (Lc 11,39-46). Você pode conferir e vai perceber o seguinte: nos dois episódios, Jesus sobe a montanha para rezar e leva consigo os mesmos discípulos, Pedro, Tiago e João. Nas duas ocasiões, Jesus muda de aspecto e se transfigura diante deles, seja glorioso, seja suando sangue.  Nas duas vezes aparecem figuras celestes para confortá-lo, seja Moisés e Elias, seja o anjo do céu. E tanto na Transfiguração como na Agonia, os discípulos dormem, se mostram alheios ao foto e parecem não entender nada. No final dos dois episódios, Jesus se reúne de novo com seus discípulos. Sem dúvida, Lucas teve alguma intenção em acentuar a semelhança entre estes dois episódios. Qual seria? É meditando e rezando que, aos poucos, conseguiremos chegar por trás das palavras e perceber a intenção do seu autor. E Espírito de Jesus nos guiará. 

Texto extraído do Livro "O AVESSO É O LADO CERTO: Circulos Bíblicos sobre o Evangelho de Lucas". Autoria de Carlos Mesters e Mercedes Lopes. CEBI/Paulinas

Liturgia Diária

Domingo, 24 de Fevereiro de 2013
2º Domingo da Quaresma

Evangelho (Lucas 9,28b-36)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, 28bJesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. 29Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante.
30Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. 31Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém.
32Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.
33E, quando estes dois homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava dizendo.
34Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem.
35Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”
36Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Primeira leitura (Gênesis 15,5-12.17-18)

Leitura do Livro do Gênesis:
Naqueles dias, 5o Senhor conduziu Abrão para fora e disse-lhe: “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!” E acrescentou: “Assim será a tua descendência”.
6Abrão teve fé no Senhor, que considerou isso como justiça. 7E lhe disse: “Eu sou o Senhor que te fez sair de Ur dos Caldeus, para te dar em possessão esta terra”.
8Abrão lhe perguntou: “Senhor Deus, como poderei saber que vou possuí-la?” 9E o Senhor lhe disse: “Traze-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, além de uma rola e de uma pombinha”.
10Abrão trouxe tudo e dividiu os animais pelo meio, mas não as aves, colocando as respectivas partes uma frente à outra.
11Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotou. 12Quando o sol já ia se pondo, caiu um sono profundo sobre Abrão e ele foi tomado de grande e misterioso terror.
17Quando o sol se pôs e escureceu, apareceu um braseiro fumegante e uma tocha de fogo, que passaram por entre os animais divididos.
18Naquele dia, o Senhor fez aliança com Abrão, dizendo: “Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates”.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Segunda leitura (Filipenses 3,17—4,1)

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses:
17Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que vivem de acordo com o exemplo que nós damos.
18Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. 19O fim deles é a perdição, o deus deles é o estômago, a glória deles está no que é vergonhoso e só pensam nas coisas terrenas.
20Nós, porém, somos cidadãos do céu. De lá aguardamos o nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo. 21Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso, com o poder que tem de sujeitar a si todas as coisas.
4,1Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Salmo (Salmos 26)

— Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo,/ meu coração fala convosco confiante!
— Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo,/ meu coração fala convosco confiante!
— O Senhor é minha luz e salvação;/ de quem eu terei medo?/ O Senhor é a proteção da minha vida;/ perante quem eu tremerei?
— Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo,/ atendei por compaixão!/ Meu coração fala convosco confiante,/ é vossa face que eu procuro.
— Não afasteis em vossa ira o vosso servo,/ sois vós o meu auxílio!/ Não me esqueçais nem me deixeis abandonado,/ meu Deus e Salvador!
— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver/ na terra dos viventes./ Espera no Senhor e tem coragem,/ espera no Senhor!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Contemplar a grandeza do coração do Pai - Mateus 5,43- 48

Sábado Primeira semana da Quaresma

Repouso sabático:

Vós, pois, sede perfeitos como é perfeito vosso Pai do céu[1]

Ao caminhar necessitam-se momentos de repouso que permitam retomar contemplativamente o vivido. O evangelho de hoje nos convida a uma experiência deste tipo. O horizonte da contemplação é uma realidade que está além de nós mesmos e de nossos pecados: a extraordinária grandeza do coração de Deus Pai.
O imperativo “sede perfeitos como é perfeito vosso Pai do céu” (5,48) é a conclusão da série de antíteses entre a antiga Lei (“não matarás”, “não cometerás adultério”, “não jurarás em falso”...) e a novidade de vida segundo o Reino de Deus (“Pois eu vos digo...”). Jesus, que sempre pede para ir além da Lei, levando-a à sua plenitude junto com ele – o Filho que pode revelar seu sentido mais profundo -, nos diz seu segredo: o parâmetro de seu comportamento e o que inspira este ir mais além das primeiras normas é a perfeição de Deus enquanto Pai.

A perfeição do Pai tem que ver em primeiro lugar com seu magnânimo amor, no qual não existe estreiteza nem mesquinhez, nem discriminação, senão espaço para todos: “Faz brilhar seu sol sobre maus e bons, e chover sobre justos e injustos” (v.45b).  Para todos irradia vida e benção.

Por isso é necessário dar um passo a mais com relação ao mandato do amor que restringia o amor ao círculo estreito dos compatriotas (v.43). As barreiras se rompem de forma inaudita quando Jesus manda amar ao inimigo: “Amai a vossos inimigos e rezai pelos que vos perseguem” (v.44). É fácil amar alo onde existe harmonia e afinidade, onde o outro não invade meu terreno, nem seus compartimentos são uma ameaça para mim. O difícil é amar a quem não merece o meu amor, a quem me julgou e trapaceou e tenho motivos suficientes para não voltar a confiar nele.

O amor que Jesus pede se edifica sobre o terreno frágil das ambigüidades, onde em princípio não existem as condições para estabelecer uma relação e sobretudo onde se perdem todas as seguranças pessoais, permanecendo permanentemente exposto a qualquer agressão que surpreenda.

É duro. Porém o parâmetro é o coração de Deus Pai e não o mesquinho coração humano que busca sempre que se estabeleçam garantias para poder abrir-se; não existe outra alternativa. Tendo presente que um filho se parece com seu pai, não somente fisicamente, mas também em suas atitudes, assim um filho de Deus – em Jesus - é chamado a transparecer em todos os seus comportamentos o amor perfeito de Deus Pai (v.45ª).  Nisto se diferencia um discípulo de Jesus de um não convertido: seja publicano ou gentio (vv.46-47).

Para dilatar o coração é necessário fixar o olhar na perfeição do Pai, que é esse adorável coração, que se dilatou por nós no coração de seu Filho crucificado, para invadir-nos gratuitamente com o seu incomparável amor e constituir-nos em filhos que são como Ele. É recebendo este amor que poderemos dá-lo, uma vez que – ao purificar-nos – ele se faz um conosco. Este chegar a ser com Ele um só coração que palpita de amor ao uníssono por todos os que ele ama – bons e maus, justos e injustos, amigos e inimigos - é a plenitude da Aliança que selamos com Ele no Batismo.

Gozemos nesse amor que nos abraçou primeiro, não precisamente pelo fato de que somos bons ou justos. A vida nova que faz brotar em nós pela nutrição de seu sol (luz) e de sua chuva (água) é pura gratuidade sua.

Para cultivar a semente da Palavra na vida:


1. Tenho restrições para admitir pessoas em meu círculo de relações? Existe alguém que não cabe no meu coração?

2. O que caracteriza o amor de Deus Pai, esse amor que inspirou todas as atitudes, comportamentos e relações de Jesus?

3. o que devemos fazer para ser reconhecidos como filhos do Pai celestial? Como vou exercitá-lo neste dia?


[1] Autor P. Fidel Oñoro, cjm, (http://www.iglesia.cl/especiales/cuaresma2013/orar2.html), tradução livre de Frei João Carlos Karling,ofm, para o site da Paróquia Rede de Comunidades São José, Gravataí.

Liturgia Diária

Sábado, 23 de Fevereiro de 2013
1ª Semana da Quaresma

Evangelho (Mateus 5,43-48)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!
45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre os justos e injustos. 46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Primeira leitura (Deuteronômio 26,16-19)

Leitura do Livro do Deuteronômio.
Moisés dirigiu a palavra ao povo de Israel e lhe disse: 16“Hoje, o Senhor teu Deus te manda cumprir esses preceitos e decretos. Guarda-os e observa-os com todo o teu coração e com toda a tua alma.
17Tu escolheste hoje o Senhor para ser teu Deus, para seguires os seus caminhos, e guardares seus preceitos, mandamentos e decretos, e para obedecerdes à sua voz. 18E o Senhor te escolheu, hoje, para que sejas para ele um povo particular, como te prometeu, a fim de observares todos os seus mandamentos. 19Assim ele te fará ilustre entre todas as nações que criou, e te tornará superior em honra e glória, a fim de que sejas o povo santo do Senhor teu Deus, como ele disse”.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Salmo (Salmos 118,1-8)

— Feliz é quem na lei do Senhor Deus vai progredindo!
— Feliz é quem na lei do Senhor Deus vai progredindo!
— Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo! Feliz o homem que observa seus preceitos, e de todo coração procura Deus!
— Os vossos mandamentos vós nos destes, para serem fiel­mente observados. Oxalá seja bem firme a minha vida em cumprir vossa vontade e vossa lei!
— Quero louvar-vos com sincero coração, pois aprendi as vossas justas decisões. Quero guardar vossa vontade e vossa lei; Senhor, não me deixeis desamparado!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Retiros de São Paulo

1º Passo: Ver, Ouvir, Sensibilizar-me para encarnar a realidade, hoje.

 

Encarnação, Abertura, Solidariedade - Bendito seja Deus![1]

Bendito seja Deus, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo... Nele nos escolheu antes da criação do mundo... (Ef 1,3-4).

Rezemos

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, a comunhão do Espírito Santo e o amor de Deus nosso Pai, que em Cristo nos escolheu antes da criação do mundo, estejam com todos nós.

Breve introdução ao tema

A vocação cristã, a própria vida, é experiência de eleição da parte de Deus Pai que “em Cristo, nos escolheu antes da criação do mundo”. Iluminados pelo testemunho do apóstolo Paulo, que viveu de maneira apaixonada este chamado, queremos também nós refletir sobre nossa vocação como caminho de conversão e como resposta ao amor gratuito e incondicionado de Deus.

Escutemos a Palavra

Texto 1: Conhecendo Paulo: At 22,3.

Texto 2: Na via de Damasco: At 22,6-10.

Texto 3: Vocação/eleição de Paulo: Gal 1,11-17.

Alguns aspectos de reflexão

1- A apresentação que Paulo faz de si é essencial, lapidária e nos fornece em poucas linhas o perfil de sua extraordinária e complexa personalidade. Sem esta divisão sobre a vida precedente ao evento de Damasco não teríamos jamais compreendido a intensidade do impacto que o encontro com o Senhor ressuscitado teve na sua vida. É de fato o antes que dá as dimensões do depois, e ao mesmo tempo, o antes e o depois se fundem na hora da graça, na benção “desde sempre” em Cristo. Depois da experiência de Damasco, Paulo se imerge no deserto da Arábia para deixar-se plasmar pelo Espírito, e sai pessoa nova. O encontro com Cristo lhe imprimiu no coração uma revelação transformadora: Deus me escolheu para que eu revelasse seu Filho em mim. Paulo se sente escolhido, chamado, amado e enviado: faz experiência de eleição. E isto urge internamente, como uma necessidade irrefreável, de dizer a todos, a ti e a mim, que o amor de Deus é um dom absolutamente gratuito. Que o seu dom é irrevogável. Paulo gastará toda a sua vida, até o martírio, para levar a todos este anúncio extraordinário: em Jesus, o Pai nos ama, de maneira pessoal, cada um com seu próprio nome, desde sempre!

2 - A experiência de eleição exige acolhida, resposta. O encontro com Cristo nos introduz a um processo de transformação, de abertura da nossa vida ao mistério do Senhor morto e ressuscitado. Paulo se sente imerso na grande história, a história da salvação. “Deus nos amou quando nós ainda estávamos no pecado” (cf Rm 5,6-8). Não é de fato a nossa história pessoal que determina as escolhas de Deus. Para Deus todo o nosso vivido é importante, como vemos em Paulo. A conversão é entrar no espaço sagrado de Deus com tudo aquilo que somos, para acolher a libertação do pecado. É um processo de re-orientação de toda a nossa vida a Cristo, para viver o seu Evangelho e reconhecer a sua presença no rosto de nossos irmãos e irmãs.

3 - A eleição se faz testemunho. Tudo, em Paulo, começa com uma experiência de amor, com um encontro com o Senhor ressuscitado, que o transforma: “Não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”. O cristão que vive em profundidade o dom da eleição divina se torna sinal, testemunho, anúncio de que a salvação é para todos, sem exclusão de ninguém. É o mistério da participação. Deus tem necessidade de Paulo e tem necessidade de mim para manifestar-se como um Deus vizinho, um Deus que nos ama com um amor eterno: em Cristo, antes “da criação do mundo” (Ef 1,4).

Interiorização da Palavra

Deixemos que quanto temos escutado e lido, nos interpele. Invoquemos a benção de Deus na nossa vida. Acolhamos os seus apelos de conversão. Contemplemos a nossa resposta. Amemos a nossa história como Deus a ama. De tudo e por tudo, demos graças.

Rezemos a Palavra

Ef 1,3-7.

Concluamos rezando

És sempre bendito, Senhor nosso Pai, que nos amaste em Jesus com um amor eterno, antes que nós te conhecêssemos. Dá-nos a prontidão de Paulo para que, como ele, respondamos a tão grande e tanto amor e possamos anunciar a cada pessoa que vive vizinha a nós, que tu a amas, desde sempre. E isto te pedimos, por Jesus nosso irmão, mestre e Senhor.

Textos complementares

At 9,1-22; 22,3-16; 26,9-20;

Rom 14,19;

1Cor 12,4-7.27-31;

Gal 1,11-16;

1Tim 1,12-16;

2 Tim 1,9-10;

1 Pt 4,10-11.


[1] Tradução livre e adaptação do texto de RINA RISITANO, Benedetto sia Dio. Celebrazioni della Parola sui testi delle Lettere di san Paolo, Milano, Figlie di San Paolo, 2008, pp. 15-20, para uso exclusivamente interno, nos retiros, feita por fr. João Carlos Karling, ofm.

Rina Risitano é uma irmã missionária das Filhas de São Paulo. Depois de um período dedicado a aprofundamento da comunicação, através da linguagem da imagem cinematográfica, viveu por mais de vinte anos na Inglaterra, como diretora editorial. Dedicou grande parte de sua atividade na produção de programas e de publicações inspiradas na Sagrada Escritura, orientadas prevalentemente à atividade pastoral e ao crescimento pessoal na fé: para que a Palavra de Deus se tornasse Palavra vivida.

Acesse este e outros materiais referentes aos Retiros de São Paulo Clicando Aqui!

Parar para revisar a vida - Mateus 5,20-26

6ª feira Primera semana de Cuaresma

Dispor-se para a conversão (II):

Deixa tua oferenda ali, diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão

Esta sexta-feira penitencial nos diz fortemente: Pára!  Na quaresma sucede como quando alguém passa de carro por uma encruzilhada de ferrovia: primeiro tem que parar, para logo olhar (e inclusive escutar) se o tem não está vindo. O evangelho de hoje vai longe neste ponto: é necessário parar, inclusive o mais sagrado, para dar prioridade à reconciliação com o irmão.

Precisamente no quadro central que nos apresenta o evangelho de hoje (Mt 7,23-24), temos o caso de um orante que peregrinou de longe até o Templo de Jerusalém, e quem – quem sabe com grande esforço - deixou para trás todas as demais atividades cotidianas para dar prioridade ao encontro com Deus, no culto. Resulta que em meio do culto se “dá conta” de uma relação que está rompida (muitas vezes é assim: justamente quando estamos orando emergem rostos e sentimentos, geralmente dos que não andam bem). No final, como vimos ontem, a oração e as relações com os outros andam de mãos dadas. Então Jesus coloca ali o ensinamento: “Deixa tua oferenda ali, diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão” (v.24).

A frase “vai primeiro” assinala uma escala de valores. É verdade que não pode haver nada mais importante do que buscar a Deus (“Buscai primeiro o Reino de Deus...”, Mt 6,33), que nenhuma atividade, por importante que seja, supera a oração e a liturgia, existe um valor maior, e este é uma prioridade: a reconciliação com o irmão, a “justiça” do Reino (Mt 6,33).  A reconciliação com o irmão ofendido é tão importante que não dá para esperar e nem empurrar ‘com a barriga’, tanto é assim que se pode interromper o ato mais sagrado do mundo para fazê-lo.

O ensinamento, porém, vai mais fundo: se bem que é normal que em algum momento as relações passem por crises, a pessoa se torna irresponsável se deixa que os problemas avancem. É alo onde está o pecado: o problema não é um momento de raiva, mas deixar-se conduzir por ela até chegar a nefastas conseqüências. Vamos olhá-lo no texto:
(1) No v.22 se descrevem três níveis de agravamento de uma inimizade: (a) nível 1: a cólera; (b) nível 2: a agressão verbal; (c) nível 3: o não reconhecimento do outro como pessoa. Do terceiro nível ao assassinato não existe mais do que um passo (porque o outro já não é nenhum valor para mim, nem sequer é gente; este é o sentido da palavra aramaica “Raqa”, que traduz por “cabeça oca” (tolo), citada no final deste versículo).

(2) Contemporaneamente em cada nível de agravamento, Jesus indica gradualmente uma maior responsabilidade que se adquire: (a) te julgará o tribunal (local); (b) te julgará o Sinédrio (tribunal nacional); (c) te julgará o próprio Deus. Este processo se ilustra logo com o exemplo dos inimigos que, por não reconciliar-se a tempo, foram às últimas conseqüências (ver os vv.25-26).

No final, ao ler este texto na quaresma, compreendemos que a penitência é feita de relações pessoais, que se retomam. A vida no seguimento de Jesus exige estar muito atentos para fazer continuamente atos de reconciliação que consistem em:
(1) Ir buscar o quanto antes aquela pessoa a quem eu fiz algum mal: “o teu irmão que tem algo contra ti”.

(2) Reconhecer que, acima de tudo, esta pessoa é um “irmão” (o texto repete quatro vezes “seu” o “teu irmão”). Trata-se de relações nas quais as boas relações se romperam e o amigo se tornou inimigo (= “teu adversário”, v.15ª). Reconciliar-se é reconstruir a fraternidade.

(3) Salvar a vida, porque sabemos como comença o caminho do ódio, porém nunca sabemos como pode terminar. Por isso, cultivar uma relação de ódio,é entrar irresponsavelmente no caminho do “assassinato” (v.21).

O primeiro mandamento da Lei de Deus pede amar a Deus sobre todas as coisas. Esta prioridade de Deus, porém (confessada na liturgia) não se realiza se não se chega a recompor prioritariamente as relações rompidas: a reconciliação. Então o culto – que põe o coração em comunhão com Deis - será verdadeiro.

Agora já sabemos como quer o Senhor que cheguemos à grande liturgia pascal do grande Reconciliador da humanidade.

Para cultivar a semente da Palavra na vida:


1. Tenho algum inimigo?

2. A restauração das relações rompidas é uma prioridade que dá lugar a todas as demais ocupações minhas? Deixo correr os problemas? Ou simplesmente desisto?
3. Que reconciliações concretas vou trabalhar durante esta quaresma, de maneira que a celebração pascal seja uma verdadeira e autêntica festa da reconciliação? 


[1] Autor P. Fidel Oñoro, cjm, (http://www.iglesia.cl/especiales/cuaresma2013/orar2.html), tradução livre de Frei João Carlos Karling,ofm, para o site da Paróquia Rede de Comunidades São José, Gravataí.

Liturgia Diária

Evangelho (Mateus 16,13-19)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. 15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.
17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Primeira leitura (1º Pedro 5,1-4)

Leitura da Primeira Carta de São Pedro.
Caríssimos, 1exorto aos presbíteros que estão entre vós, eu, presbítero como eles, testemunha dos sofrimentos de Cristo e participante da glória que será revelada: 2Sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; 3não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho. 4Assim, quando aparecer o pastor supremo, recebereis a coroa permanente da glória.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Salmo (Salmos 22)

— O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.
— O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.
— O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.
— Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!
— Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.
— Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Decálogo Quaresmal

Pedro Castañera, L.C. Fonte: Catholic.net

O tempo da quaresma é um momento de especial preparação interior. Este decálogo quaresmal pode ser um bom guia para cumprir com este propósito.

1. Romperás de uma vez por todas com o que tu bem sabes que Deus não quer, ainda que te agrade muito, ainda que te custe “horrores” deixá-lo. Arrancá-lo-ás sem compaixão, como um câncer que está te matando. “De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se assim arruína a sua vida? (Mc 8, 36).

2. Compartilharás o teu pão com o faminto, tuas roupas com o desnudo, tuas palavras com quem vive na solidão, teu tempo e consolo com e que sofre no corpo o na alma, teu sorriso com o triste, tua caridade com TODOS. Examinarás isto com cuidado, cada noite. "Em verdade vos digo que quanto fizestes a um destes irmãos meus, mais pequenos, a mim o fizestes" (Mt 25, 40).

3. Dedicarás um bom tempo todos os dias para estar a sós com Deus, para falar com Ele de coração a Coração. Será um tempo de agradecer, de pedir perdão, de louvar e adorá-lo, de suplicar pela salvação de TODOS. Este tempo não é negociável. “Sucedeu que por aqueles dias ele foi ao monte para orar, e passou a noite em oração com Deus” (Lc 6, 12).

4. Confiarás em Deus apesar de teus pecados e misérias. Crerás que Deus é mais forte que todo o mal do mundo. Não permitirás que nem dor, nem pesar algum, nem “tua negra sorte”, nem as injustiças e traições sofridas te farão duvidar nem por um momento do amor infinito que Deus tem por ti. Ele morreu na cruz para salvar-te de teus pecados. “Ainda que eu passe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, porque tu vais comigo; tu vara e teu cajado, eles me dão sustento” (Sal 23, 4).

5. Dirigirás o teu olhar somente para Deus e aos teus irmãos. Dirigir muito o olhar para ti, te faz mal, porque te envaideces vendo os dons que não são teus ou te desalentas vendo sem humildade as tuas misérias. Olha a Jesus e terás paz em teu coração. Olha as necessidades dos teus irmãos e já não terás tempo de pensar em ti; te farás mais humano, mais cristão. “Assim, pois, se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde está Cristo sentado à direita de Deus. Aspirai às coisas do alto, não às da terra.” (Col 3, 1-2).

6. Jejuarás de palavras vãs: serás alguém que bendiz. Jejuarás de maus pensamentos: serás puro de coração. Jejuarás de ações egoístas: serás uma pessoa doada para os demais. Jejuarás de toda hipocrisia: serás veraz. Jujuarás do supérfluo: serás pobre de espírito. “O jejum que eu quero é este: desatar os laços da maldade, desatar as correias de jugo, dar a liberdade aos oprimidos, e arrancar todo jugo” (Is 58, 6).

7. Perdoarás mil vezes a quem te feriu, com motivo ou sem motivo, justo ou injustamente, esteja arrependido ou não. Um perdão que não será somente tolerar ou suportar, mas que brotará do amor sincero e sobrenatural. Os perdoarás um por um, primeiro em teu coração e logo, te será possível, também com tuas palavras. Não permitirás que o rancor nem o ressentimento envenenem o teu coração. “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34).

8. Oferecerás sacrifícios agradáveis ao Senhor. O farás em silêncio, sem que ninguém se dê conta. Buscarás com eles reparar os teus pecados e os pecados de TODOS os homens. Buscarás com, com os sacrifícios, desprender-te das coisas materiais, que tanto te agradam, para poder tornar-te mais livre e ser uma pessoa para Deus. Porém, sobretudo, exercerás o sacrifício de viver com perfeição a caridade em todo momento, com TODOS os teus irmãos. “Não vos esqueçais de fazer o bem e de ajudar-vos mutuamente; estes são os sacrifícios que agradam a Deus” (Heb 13, 16).

9. Amarás a humildade e procurarás vivê-la da seguinte maneira: reconhecerás teus pecados; considerarás aos demais melhores que a ti mesmo; agradecerás as humilhações sem deixar-te arrastar pelo amor próprio; não buscarás as honras, nem os primeiros lugares, nem o poder, nem a fama, porque tudo isto é de Deus; te tornarás servidor de todos. “O que quer ser grande entre vós, seja vosso servidor, e o que quer ser o primeiro entre vós, seja escravo de todos” (Mc 10, 43-44).

10. Anunciarás aos homens a verdade do Evangelho. Lhes dirás sem temor que Deus os ama, que se fez homem por eles e que morreu na cruz para salvá-los. Lhes mostrarás que somente Ele os pode tornar plenamente felizes. Lhes farás ver que a vida que tem sua origem em Deus, é muito curta, passa rápida e que Deus é seu destino final; viver por Deus, com Deus e em Deus é sensato e seguro. “E lhes digo: «Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a toda a criação» “ (Mc 16, 15).


[1] Tradução livre de Frei João Carlos Karling, ofm, para publicação na página da Paróquia Rede de Comunidades São José, de Gravataí.