Apresentação

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A quaresma como exercício de oração

3ª feira - Primeira semana da Quaresma[1]

Mateus 6,7-15

Vocês, porém, rezem assim…

A segunda tarefa do exercício quaresmal é a oração. Este é um tempo no qual reforçamos nossos tempos de oração e os qualificamos. 

A oração vai unida ao compromisso, por isso a primeira lição da quaresma foi que o amor a Deus se exercita no amor ao irmão. Porém como não se trata de um mero exercício de altruísmo, mas de expressão do amor de Deus que nos habita, é fundamental o exercício da oração.

A oração vivifica e aprofunda a relação com Deus gerando espaços estreitos de confiança, fazendo palpitar ao uníssono os dois amores e fazendo que se impregne mais em nós o rosto do Pai, de quem nos reconhecemos filhos.

Na catequese sobre a oração, no sermão da montanha, Jesus nos dá pistas concretas para que demos vida à oração:

(1) Ao contrapor dois tipos de oração, a dos pagãos e a dos discípulos de Jesus, convida a dar um salto qualitativo no espírito de oração.  O pagão apóia sua oração no exercício da retórica: a oração se torna discurso, preocupada com a beleza do discurso que seduz ao ouvinte para arrancar-lhe o pedido (ver Mt 6,7). O discípulo de Jesus, por sua vez, apóia sua oração no exercício da confiança: a convicção que mais comove a um pai é ver a seu filho necessitado, e ele o percebe antes que o filho abra a boca (ver Mt 6,8). O fundamento, a atmosfera e a maneira de fazer a oração, então, é diferente a de uma pessoa que não conhece o amor de Deus.

(2) No Pai Nosso Jesus recolhe a última idéia e mostra como se leva a cabo. A atmosfera da oração se cria na invocação fundamental a partir de três elementos:

(a) atrever-se a chamar a Deus “Papaizinho”, o transcendente se apreende em sua imensa proximidade;

(b) apresentar-se diante dele não como orante solitário, mas como membro de uma família que sabe dizer “nuestro”;

(c) notar que a paternidade de Deus não é uma projeção das paternidades humanas, mas ao contrário, uma revelação que vem do alto: “que estás no céu”.

(3) No interior da oração notamos que a oração básica é a repetição dos pronomes “Tu” e “Nós”.  A relação se tece neste encontro: o “Tu” se insere no “nós” e vice-versa, gerando uma mútua possessão que não é de submissão, mas de livre Aliança de amor fecundada por benção.

(4) O primeiro que se acentua é o “Tu”: o que se pede antes de tudo é a Deus mesmo; antes que qualquer outra coisa, Ele é o bem maior que necessitamos e imploramos. Isto purifica o coração de qualquer outro interesse secundário na relação com Deus e para curvar a existência inteira ante as três grandes ações de um Deus que vem ao nosso encontro: “Santificado seja o teu Nome” (Mt 6,9c), “venha o teu Reino” (Mt 6,10ª), “seja feita a tua vontade, assim na  terra como no céu” (Mt 6,10b).

(5) Depois se acentua o “Nós”: o coração se abre para receber as bênçãos cotidianas do amor fundante. Deus vem ao encontro de nossas necessidades como um Papai responsável, que traz o pão para sua família (“O pão nosso de cada dia nos dai hoje”, Mt 6,11), que vela pela unidade de sua família muitas vezes quebradas por discórdias (“Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”, (Mt 6,12), que sustenta na debilidade (“Não nos deixeis cair em tentação”, (Mt 6,13ª) e que liberta – com o sangue de seu Filho - o mal que se aninha no coração, para que o filho não saia de sua casa (“Mas livra-nos do mal” (Mt 6,13b).

(6) Quando o filho é autêntico, ele reflete o rostro de seu Pai. Por isso, na oração, o filho se torna “pai” para os outros. Isto se nota na capacidade para perdoar. A disposição para o perdão, porém, da nossa parte é a condição primeira para que este seja possível (ver Mt 6,14-15).

Durante a quaresma voltamos à escola da oração. Nesta escola o central é o aprendizado da abertura do coração de um filho que redescobre fascinado todos os dias – como Jesus - o amor de seu Pai e se insere no mais profundo deste amor pelo abandono nele.  Na Cruz de sexta feira santa contemplaremos a um Filho que, tendo optado pela vontade d’Ele no Getsemani, lhe confia completamente sua vida em suas mãos. Na Vigília Pascal, juntamente com ele bendiremos nossa filiação nas águas das quais nascemos como filhos de Deus.

Para cultivar a semente da Palavra na vida:


1. A partir da leitura do evangelho de hoje, sinto necessidade de retornar à escola da oração de Jesus? O que considero que esteja frouxo em minha vida de oração?

2. Que lições me dá Jesus em sua catequese sobre a oração e que relação tem com o caminho quaresmal?

3. Que programação especial poderia fazer para cultivar, nesta quaresma, espaços de tempo mais amplos e qualificados de oração?


[1] Autor P. Fidel Oñoro, cjm, (http://www.iglesia.cl/especiales/cuaresma2013/orar2.html), tradução livre de Frei João Carlos Karling,ofm, para o site da Paróquia Rede de Comunidades São José, Gravataí.

** Esta reflexão encontra-se também em nossa Biblioteca Virtual, na seção Quaresma e Tempo Pascal”. Para acessar este e outros materiais, Clique Aqui.

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