Apresentação

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Parar para revisar a vida - Mateus 5,20-26

6ª feira Primera semana de Cuaresma

Dispor-se para a conversão (II):

Deixa tua oferenda ali, diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão

Esta sexta-feira penitencial nos diz fortemente: Pára!  Na quaresma sucede como quando alguém passa de carro por uma encruzilhada de ferrovia: primeiro tem que parar, para logo olhar (e inclusive escutar) se o tem não está vindo. O evangelho de hoje vai longe neste ponto: é necessário parar, inclusive o mais sagrado, para dar prioridade à reconciliação com o irmão.

Precisamente no quadro central que nos apresenta o evangelho de hoje (Mt 7,23-24), temos o caso de um orante que peregrinou de longe até o Templo de Jerusalém, e quem – quem sabe com grande esforço - deixou para trás todas as demais atividades cotidianas para dar prioridade ao encontro com Deus, no culto. Resulta que em meio do culto se “dá conta” de uma relação que está rompida (muitas vezes é assim: justamente quando estamos orando emergem rostos e sentimentos, geralmente dos que não andam bem). No final, como vimos ontem, a oração e as relações com os outros andam de mãos dadas. Então Jesus coloca ali o ensinamento: “Deixa tua oferenda ali, diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão” (v.24).

A frase “vai primeiro” assinala uma escala de valores. É verdade que não pode haver nada mais importante do que buscar a Deus (“Buscai primeiro o Reino de Deus...”, Mt 6,33), que nenhuma atividade, por importante que seja, supera a oração e a liturgia, existe um valor maior, e este é uma prioridade: a reconciliação com o irmão, a “justiça” do Reino (Mt 6,33).  A reconciliação com o irmão ofendido é tão importante que não dá para esperar e nem empurrar ‘com a barriga’, tanto é assim que se pode interromper o ato mais sagrado do mundo para fazê-lo.

O ensinamento, porém, vai mais fundo: se bem que é normal que em algum momento as relações passem por crises, a pessoa se torna irresponsável se deixa que os problemas avancem. É alo onde está o pecado: o problema não é um momento de raiva, mas deixar-se conduzir por ela até chegar a nefastas conseqüências. Vamos olhá-lo no texto:
(1) No v.22 se descrevem três níveis de agravamento de uma inimizade: (a) nível 1: a cólera; (b) nível 2: a agressão verbal; (c) nível 3: o não reconhecimento do outro como pessoa. Do terceiro nível ao assassinato não existe mais do que um passo (porque o outro já não é nenhum valor para mim, nem sequer é gente; este é o sentido da palavra aramaica “Raqa”, que traduz por “cabeça oca” (tolo), citada no final deste versículo).

(2) Contemporaneamente em cada nível de agravamento, Jesus indica gradualmente uma maior responsabilidade que se adquire: (a) te julgará o tribunal (local); (b) te julgará o Sinédrio (tribunal nacional); (c) te julgará o próprio Deus. Este processo se ilustra logo com o exemplo dos inimigos que, por não reconciliar-se a tempo, foram às últimas conseqüências (ver os vv.25-26).

No final, ao ler este texto na quaresma, compreendemos que a penitência é feita de relações pessoais, que se retomam. A vida no seguimento de Jesus exige estar muito atentos para fazer continuamente atos de reconciliação que consistem em:
(1) Ir buscar o quanto antes aquela pessoa a quem eu fiz algum mal: “o teu irmão que tem algo contra ti”.

(2) Reconhecer que, acima de tudo, esta pessoa é um “irmão” (o texto repete quatro vezes “seu” o “teu irmão”). Trata-se de relações nas quais as boas relações se romperam e o amigo se tornou inimigo (= “teu adversário”, v.15ª). Reconciliar-se é reconstruir a fraternidade.

(3) Salvar a vida, porque sabemos como comença o caminho do ódio, porém nunca sabemos como pode terminar. Por isso, cultivar uma relação de ódio,é entrar irresponsavelmente no caminho do “assassinato” (v.21).

O primeiro mandamento da Lei de Deus pede amar a Deus sobre todas as coisas. Esta prioridade de Deus, porém (confessada na liturgia) não se realiza se não se chega a recompor prioritariamente as relações rompidas: a reconciliação. Então o culto – que põe o coração em comunhão com Deis - será verdadeiro.

Agora já sabemos como quer o Senhor que cheguemos à grande liturgia pascal do grande Reconciliador da humanidade.

Para cultivar a semente da Palavra na vida:


1. Tenho algum inimigo?

2. A restauração das relações rompidas é uma prioridade que dá lugar a todas as demais ocupações minhas? Deixo correr os problemas? Ou simplesmente desisto?
3. Que reconciliações concretas vou trabalhar durante esta quaresma, de maneira que a celebração pascal seja uma verdadeira e autêntica festa da reconciliação? 


[1] Autor P. Fidel Oñoro, cjm, (http://www.iglesia.cl/especiales/cuaresma2013/orar2.html), tradução livre de Frei João Carlos Karling,ofm, para o site da Paróquia Rede de Comunidades São José, Gravataí.

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