Apresentação

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Unificar a vida na coerência entre o que se diz e se faz


Mateus 23,1-12

3ª. Feira da segunda semana da quaresma

Porque dizem e não fazem[1]

Somos muito dados a dizer aos demais o que eles tem que fazer e parece que às vezes esquecemos de nos olhar no espelho. As palavras do Senhor, porém, não são sim para uns e não para outros: a exigência é igual para todos. Na comunidade de Jesus não cabe a separação: os que ensinam e os que praticam. Não, todos praticam.
As palavras dirigidas aos fariseus não são exclusivas para eles; elas tocam a todos os membros da Igreja (ver 23,1). Observemos a ordem das idéias:

(1) Jesus valida a autoridade dos mestres da Lei (“Fazei, pois, e observai tudo o que vos dizem”, v.3ª), porém pede: “Não imiteis sua conduta” (v.3b).

(2) Jesus vai ao centro e assinala as três condutas que refletem incoerência:

(a) A dupla vida: “dizer”, porém “não fazer” (v.3c);

(b) a falta de compromisso: “colocar cargas pesadas nos ombros da gente” porém “nem com o dedo movê-las” (v.4);

(c) o buscar o mais visível para ser notado: “Todas as suas obras as fazem para serem vistos pelos homens” (v.5ª). Três exemplos concretos: a roupa, os primeiros lugares nos espaços públicos (banquetes) e religiosos (sinagogas) e a exigência de que os chamem pelo título (vv.5b-7).

(3) Partindo do último ponto (“que as pessoas os chamem Rabi (Mestre)”) Jesus assinala o comportamento distintivo do discípulo: “Vocês, pelo contrário...” (v.8ª):

(a)   A comunidade se constrói numa unidade de base: “vós todos sois irmãos” (v.8c).

(b)   Na comunidade a autoridade é exercida enquanto se vive em comunhão com o único Mestre (v.8b), com o único Pai (v.9) e com o único Diretor (v.10).

(c) A motivação fundamental de todo comportamento cristão deve ser a do serviço (v.11-12).

As palavras de Jesus questionam a vida espiritual: o propósito é que a Palavra desça até o mais profundo e impregne nossa vida, que ponha em crise os critérios de comportamento e suas motivações mais profundas. Quando isto não acontece, em seguida se manifestam as patologias diagnosticadas por Jesus neste evangelho.
Por isso Jesus propõe o caminho da unificação com Ele: partir desde o mais baixo possível, como o servidor que se humilha. Essa foi sua atitude fundamental que se manifestou finalmente na Cruz. A Cruz purifica o coração e o torna autêntico, despoja das aparências e faz com que brote a verdade d ser, coloca a cada pessoa no lugar social correto para que, levantando os pesos dos outros, todos juntos cresçam na direção de Deus Pai, Mestre e Guia em quem tudo converge.

Em nosso Batismo fomos revestidos de Cristo. Não esqueçamos que o problema não está em nos vestirmos como cristãos, mas em “ser” cristãos. O ser cristão emerge de dentro, colocando-nos sob o juízo da Cruz. Recorda os vv.11-12: aos fariseus não temos que imitá-los, mas ao Crucificado, sim.

Para cultivar a semente da Palavra na vida:

1. Quando exercito a “lectio divina” contemplo a mim mesmo no espelho da Palavra ou estou pensando em como aplicá-la aos demais? (Recorde a segunda pergunta da “lectio”: O que me diz o texto?).

2. Em que aspectos de minha vida ainda não fui impregnado pela Palavra de Deus?

3. A Cruz de Jesus põe em crise os meus interesses pessoais e meu afã por ter visibilidade e reconhecimento social?


[1] [1]Autor P. Fidel Oñoro, cjm, (http://www.iglesia.cl/especiales/cuaresma2013/orar2.html), tradução livre de Frei João Carlos Karling,ofm, para o site da Paróquia Rede de Comunidades São José, Gravataí.

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