Apresentação

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segunda-feira, 4 de março de 2013

Jesus e a Samaritana (Jo 4, 5-42)

2af da 2ª semana da quaresma: JESUS E A SAMARITANA (Jo 4,5-26)

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Preparação:

Imagine o poço de Jacó, na Samaria. No Oriente, uma nascente é um lugar privilegiado de encontro. Respire fundo, deixe a paz entrar na sua alma. Peça ao Senhor que renove sua vida.

1) Um Homem e uma Mulher (Jo 4,5-15).
Jesus, cansado, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. Uma mulher veio tirar água. Jesus toma a iniciativa: - Dá-me de beber! A mulher reage: - Como ousas pedir água a mim, que sou samaritana?

- Se conhecesses o dom de Deus...

O dom de Deus é o Espírito. Ele transcende toda discriminação de pessoas. A água simboliza a vida no Espírito. A mulher passa da desconfiança ao desejo: Senhor, dá-me dessa água.

2) Os maridos da samaritana (Jo 4,16-20).
O diálogo toma novo rumo:

- Vai! Chama teu marido. - Eu não tenho marido. - Disseste bem, pois tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é o teu marido.

No ambiente judaico, ter cinco maridos era impensável. A história daquela mulher simboliza a infidelidade religiosa dos samaritanos. Os cinco maridos seriam cinco deuses estrangeiros. Jesus é o “sétimo homem”, o único Senhor, o verdadeiro Deus.

3) Adorar o Pai em espírito e de verdade (Jo 4,21-26).
A mulher ficou impressionada: Senhor, vejo que és profeta. E aproveitou para tirar uma dúvida: onde se deve adorar a Deus: no monte Garizim ou no templo de Jerusalém? A divisão dos lugares de culto nascia das brigas entre judeus e samaritanos. Jesus ultrapassa a barreira. A adoração que Deus deseja não está ligada ao monte dos samaritanos nem à cidade santa dos judeus.

Reflexão:

Nesta cena, Jesus revela progressivamente sua identidade: Primeiro, é apenas um judeu com sede. Depois, um profeta. Finalmente, proclama a sua condição de Messias (Jo 4,26). Pouco depois, os samaritanos o reconhecerão como “Salvador do mundo” (Jo 4,42).

Oração:

Senhor, sacia minha sede. Dá-me água viva! Tem paciência comigo, como tiveste com aquela mulher. Não sou melhor do que ela. Tantas vezes desejei ir atrás dos ídolos! Mas, tu me seduziste, falando-me ao coração. Contigo, no deserto, encontrei mais alegria do que nos banquetes e carnavais da vida Tu me prometeste casar comigo para sempre, no amor e na fidelidade.

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5 Jesus chegou a uma cidade da Samaria chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6 Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta do meio-dia. 7 Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”. 8 Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9 A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. 10 Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. 11 A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? 12 Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais? 13 Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14 Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele fonte de água que jorra para a vida eterna”. 15 a mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não atenha mais sede nem tenha de vir aqui para tira-la”.

O encontro entre Jesus e a Samaritana é verdadeiramente um encontro pleno. Ele é tomado pela afetividade e pela busca do sentido da vida, da moral e da espiritualidade. Nele todas as dimensões da mulher (pessoa) vêm à tona e encontram uma harmonia até então inesperada por ela, se bem que buscada. O encontro entre os dois é vivido num modo totalmente diferente por um e por outro. Jesus parte de uma necessidade pessoal, a sede, para apresentar-se a si mesmo à mulher, como aquele que ama gratuitamente. E por amar assim está em condições de saciar a sede pelo sentido da existência e à necessidade de saber-se e sentir-se desejada e amada, sem reservas. Poder-se-ia dizer que a verdadeira sede de Jesus é sede da sede escondida da mulher que encontra.

A mulher, por sua vez, inicialmente estuda Jesus, como um judeu ligado à lei, mas também e talvez sobretudo (pelo fato de que os elementos afetivos são em geral os mais fortes) como possível homem com o qual viver uma aventura, pensando que também esta seja a intenção de Jesus, e depois, claro, como um marido definitivo. Somente no final o vê como o Messias.

Olhemos brevemente como isto é visível no texto.

O ambiente: no AT diferentes casais nascem encontrando-se próximos ou junto a um poço, como por exemplo Moisés e Jacó, e para toda a literatura rabínica o poço é o lugar dos enamoramentos, das seduções. Em Gen 24, Rebeca, depois que o estrangeiro parou de falar, entra em casa correndo, e contará o diálogo, exatamente como o fará a Samaritana. Na tradição e nas lendas judaicas, o poço é fonte de água que garante a existência, a ponto de algumas narrações observarem que um poço com água jorrando teria acompanhado o povo no deserto, para dar-lhe vida e Paulo retoma este evento em 1Cor 10,14. Para o Targum, o doador do poço é o próprio Deus, e a água do poço era uma fonte que saía: dom e fonte, justamente como o texto em questão ressalta. Ora, ao poço de Jacó está sentado Jesus.

A sede de Jesus: Interessante que Jesus não peça “dá-me da água”, mas “dá-me de beber”, que é o pedido, melhor, a murmuração dos hebreus no deserto. Portanto, Jesus é aquele que assume as exigências vitais da humanidade, mas também a história de Israel, que pede de beber. E a sede do povo tem um valor metafórico: Amós 8,11 ou Sal 42,2-3 ou Is 49,10. Mas o leitor chegará a 19,28, e então compreenderá a sede de Jesus.

O significado da água: é a pluralidade dos símbolos que a água possui que vai recobrir e manter o equívoco ao interno do diálogo entre Jesus e a mulher. A água não é somente aquela que mata a sede, mas um símbolo riquíssimo, que pode aludir a muitas coisas. O fato é que Jesus e a Samaritana lêem a água no interno de dois mundos simbolicamente muito deferentes.

Para a samaritana a água é um símbolo erótico, esponsal: Prov 9,17; Sir 25,25; Sir 26,12. Poderia também ter o significado de Lei providencial, para viver cada dia, coisa que para os samaritanos era possível. Para Jesus a água refere à Torah, a Sabedoria: Sir 24,1-27 ou a ação salvífica e amigável de Deus: Jer 2,13.

Olhemos melhor o sentido da água no texto de João: dizíamos que no AT simbolizava a vida e a revelação da Lei. Logo, a revelação de Jesus, superior àquela dos pais, é a água da qual Jesus fala. Mas não somente. Para Ezequiel 36, a água pura que será jorrada no final dos tempos é o Espírito, a lei interior, e também esta virá confirmada por Jo 7,37-39. Os dois, pois, falam da água, mas querem dizer uma coisa diferente. A água de Jesus tem uma origem, ao menos para o leitor assíduo do seu Evangelho: 19,34.

O diálogo entre os dois: A linguagem da samaritana é de sondagem, alusiva, eufemistica, reticente, dissimulada: de sondagem quando interroga Jesus sobre a água que ele poderia dar-lhe (quer entender se as suas intenções são aquelas que ela espera); alusiva e eufemística, quando mantém ao longo de todo o diálogo os símbolos amorosos da água, e do poço, sem jamais esclarecer os seus termos (isto também Jesus não o faz, mas como espera de que a samaritana entenda, o que é bem diferente), dissimulador e reticente quando diz que não tem marido (e havia tido cinco), porque sabe que dizendo poderia escapar-lhe a ‘ocasião’. Mais precisamente:

v.9: a samaritana quer sondar as intenções de Jesus, claramente, sem esconder as suas próprias; de resto a chamou "mulher" e lhe pede de beber num poço, pedido que para ela poderia aludir a bem outra coisa do que sede física. Ela deve ter-se perguntado: terá sede somente de água ou também daquela a quem ele pede a água? Agora se exploram as intenções de Jesus, usando a mesma linguagem da água e não buscando desvelar o equívoco. Manter a ambigüidade das palavras e dos gestos é um dos modos de seduzir mais comuns, mesmo que por ora a atitude da mulher poderia ser simplesmente prudente. É importante notar que a linguagem de Jesus, por sua vez, não é ambígua, mas enigmática, e leva lentamente à samaritana a colocar-se sobre um plano mais profundo.

Também o comentário narrativo de João deixa entender que a mulher empreende um diálogo ambíguo e depois provocativo, mesmo que inicialmente de sondagem: ‘não tinham relações... judeus e samaritanos’ é uma expressão muito ampla, dentro da qual podem ser entendidas também as relações sexuais.

Jesus lhe responde que se conhecesse o dom de Deus e quem é aquele que lhe oferece de beber, ela mesma lhe pediria: que coisa poderia entender esta mulher, que o próprio texto nos diz frágil do ponto de vista afetivo (teve muitos homens)? Para ela a oferta poderia ser ainda sobre o plano erótico, com o acréscimo da dimensão da fecundidade, porque o ser fecundo era o grande Dom de Deus que Lia e Raquel, mulheres de Jacó, patriarca para os Samaritanos, tinham recebido de Deus. Entrevê, agora não somente um amante, mas um possível, finalmente, novo marido.

v.11; A resposta da mulher é agora de gozação, irônica e alusiva, colocando à prova o seu interlocutor. O poço é ainda um símbolo feminino, e o mantém ainda um pouco à distância: quem és tu para conquistar-me? Podes assim tão facilmente entrar na minha existência? Podes tirar água de mim?

És, pois, maior do que Jacó, isto é, podes ser um ponto de referência maior do que o nosso patriarca, e dar-me, além disto, a alegria de mulher e de mãe maior do que aquela que Jacó deu a Raquel?

Depois que Jesus responde decididamente que ele próprio pode matar a sua sede, a mulher deixa cair as armas, mesmo que permanecendo sobre o plano de quem, não desmascarando-se jamais totalmente, deixa a iniciativa ao outro. “Dá-me de beber”, é a resposta definitiva. Assim inverte-se a situação inicial.

E aqui acontece a mudança de perspectiva, a passagem graças à qual entra agora totalmente na lógica de Jesus: Cristo lhe pede de trazer o seu marido. Para quem não aceita que o diálogo entre os dois tenha tido um reviravolta amorosa, esta é uma imprevista e injustificada mudança de argumento, ou o pretexto para que Jesus adivinhe a vida da mulher. Mas admitindo que a ambigüidade do diálogo existisse desde o início, este é o pedido mais apropriado que Jesus poderia fazer-lhe.

v. 17: a mulher responde que não tem marido. Evidentemente não é pela sua reispeitabilidade que responde assim, ma porque admití-lo significava o risco de bloquear totalmente, desde o mais profundo, a ocasião de seduzir Jesus. Esta è a reticência e simulação da qual falávamos.

Jesus faz um ‘diagnóstico cardíaco’, a lei do coração, e isto faz com que a mulher comece a entrar no mistério da sua pessoa: vejo que és um profeta. Ela sabe-se agora não julgada de forma moralista, mas reconhecida (assim dirá aos seus compatriotas). Agora abriu-se a porta da fé.

O pedido que segue não é por sua vez uma mudança de argumento. Na busca da mulher, que é global, a busca religiosa sempre estava presente. Mas, é importante observar que é normal que os problemas afetivos tenham uma precedência sobre àqueles religiosos: é necessário integrá-los para poder aventurar-se nas buscas mais radicais da vida e da existência.

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