Apresentação

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sábado, 30 de março de 2013

Sábado Santo

Autor: P. Cipriano Sánchez LC | Fonte: Catholic.net
Maria é a primeira partícipe de todo o sacrifício[1]

Sábado Santo. Tratemos de imitar a Maria em sua fé, em sua esperança e em seu amor, que a sustentam em meio da prova.

Contemplemos o coração da Santíssima Virgem - dolorido na paixão, nas lamentações do profeta Jeremias. O profeta está se referindo à destruição de Jerusalém. Nesta poesia, que é de lamentação, existem muitas referências que recolhem a dor de uma mãe, a dor de Maria. Como diz o profeta: "Um Deus que rompe os muros e entra na cidade".

Poderia ser interessante tomar este texto desde o capítulo II das lamentações de Jeremias, e ir vendo como vai-se desenvolvendo esta dor no coração da Santíssima Virgem, para que possa surgir em nossa alma uma experiência da dor de Maria, pelo que Deus realizou n’Ela, pelo que Deus realizou por Ela. Pode, também, dar-nos uma experiência muito grande de como Maria enfrenta com fé esta tão grande dor que Deus produz em seu coração.

Uma dor que a visita ao ver a seu filho em tudo o que ele tinha padecido; uma dor que lhe advém ao ver a ingratidão dos discípulos que tinham abandonado a seu filho; a dor que Maria deve ter sentido ao considerar a inocência de seu filho; e sobretudo, a dor que a Santíssima Virgem deve ter sentido em seu amor tão terno por seu filho, ferido pelas humilhações dos homens.

Maria, no Sábado Santo à noite e no domingo de madrugada, é uma mulher que acaba de perder a seu filho. Todas as fibras de seu ser estão sacudidas pelo que viu nos dias culminantes da paixão. Como impedir o sofrimento e o pranto a Maria, se havia passado por uma dramática experiência, plena de dignidade e de decoro, porém com o coração quebrando?

Maria - não o esqueçamos -, é mãe; e nela está presente a força da carne e do sangue e o efeito nobre e humano de uma mãe por seu filho. Esta dor, junto com o fato de que Maria tenha vivido tudo o que viveu na paixão de seu filho, mostra seu compromisso de participação total no sacrifício redentor de Cristo. Maria quis participar até o final nos sofrimentos de Jesus; não recusou a espada que Simeão havia anunciado, e aceitou com Cristo o desígnio misterioso de seu Pai. Ela é a primeira partícipe de todo sacrifício. Maria permanece como modelo perfeito de todos aqueles que aceitaram associar-se, sem reserva, à oblação redentora.

O que passaria pela mente de Nossa Senhora neste sábado à noite e no domingo de madrugada? Todas as lembranças assaltam a mente de Maria: Nazaré, Belém, Egito, Nazaré novamente, Canaã, Jerusalém. Quem sabe, em seu coração, revive a morte de José e a solidão do Filho com a mãe, depois da morte de seu esposo...; o dia em que Cristo saiu de casa e abraçou a vida pública..., a solidão durante os três últimos anos. Uma solidão que, agora, Sábado Santo, se faz mais escura e pesada. São todas as coisas que Ela tem conservado em seu coração. E conservava no coração a seu Filho que no templo lhe diz: "Acaso não devo ocupar-me das coisas de meu Pai?". O que se passava em seu coração ao contemplar a seu Filho dizendo: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito, tudo está consumado!"

Como estaria o coração de Maria quando vê que os poucos discípulos que permaneceram sob a cruz, o envolvem em lençóis aromáticos, e o deixam no sepulcro? Um coração que se vê banhado e iluminado nestes momentos pela única luz que existe, que é a da Sexta-Feira Santa. Um coração no qual a dor e a fé se fundem. Vejamos toda esta dor da alma, todo este mar de fundo que necessariamente existia no coração de Maria. Apenas hacía veinticuatro horas que había muerto su hijo. O que não sentiria a Santíssima Virgem!

Junto com esta reflexão, penetremos no gozo de Maria na ressurreição. Tratemos de ver a Cristo que entra na habitação onde está a Santíssima Virgem. O carinho que havia nos olhos de nosso Senhor, a alegria que havia em sua alma, a satisfação de poder dizer à sua mãe: "Estou vivo". O gozo de Maria poderia ser o simples gozo de uma mãe que vê novamente a seu filho, depois de uma tremenda angústia; a relação entre Cristo e Maria, porém, é muito mais sólida, porque é a relação do Redentor com a primeira redimida, que vê triunfar aquele que é o sentido de sua existência.

Cristo, que chega junto a Maria, enche sua alma de gozo que nasce do ver a esperança cumprida. Como estaria o coração de Maria com a fé iluminada e com a presença de Cristo em sua alma! Se a encarnação, sendo um grandíssimo milagre, fez com que Maria entoasse o Magnificat: "Minha alma engrandece o Senhor e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador. Porque ele olhou para a humilhação de sua serva. Desde agora as gerações me chamarão bem-aventurada, pois o Senhor fez em mim maravilhas. Santo é seu nome". Qual seria o novo Magnificat de Maria ao encontrar-se com seu filho? Qual seria o canto que brota de Maria pela alegria de ver que o Senhor cumpriu suas promessas, que seus inimigos não triunfaram sobre Ele?

E por que não repetir com Maria, junto a Jesus ressuscitado, este Magnificat com um novo sentido! Com o sentido já não simplesmente de uma esperança, mas de uma promessa cumprida, de uma realidade presente. Eu, que sou testemunho da cena, o que experimento? O que tem a ver comigo? Deve brotar em mim, portanto, sentimentos de alegria. Alegrar-me com Maria, como uma mãe que se alegra porque seu filho voltou. Que coração seria tão duro, tão insensível que não se alegrasse por isto!

Tratemos de imitar a Maria em sua fé, em sua esperança e em seu amor. Fé, esperança e amor que a sustentam em meio da prova; fé, esperança e amor que a encheram de Deus. A Santíssima Virgem Maria deve ser o modelo para o cristão e modelo da nova criatura surgida do poder redentor de Cristo e o testemunho mais eloqüente da novidade de vida trazida ao mundo pela ressurreição de Cristo.

Tratemos de viver em nossa vida a verdadeira devoção para com a Santíssima Virgem, Mãe amadíssima da Igreja, que consiste especialmente na imitação de suas virtudes, sobretudo de sua fé, esperança e caridade, de sua obediência, de sua humildade e de sua colaboração no plano de Cristo.


[1] Tradução livre de Frei João Carlos Karling, ofm, para uso da página da Paróquia Rede de Comunidades São José, Gravataí – RS.

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